Governo Lula. Lado B do Brasil
Em 2002, ano eleitoral onde iríamos eleger um novo
presidente, a economia brasileira parecia à beira do caos absoluto devido ao
temor de que Lula optasse pela política econômica que se vangloriavam os
petistas e que constava nos documentos do Partido dos Trabalhadores desde 1970.
A famosa esquerda! não ao FMI, não aos banqueiros, não à fome, não a corrupção
e diversos outros “nãos” que adeptos e simpatizantes do partido pregavam.
Mas o PT tentava
desesperadamente avisar o mercado externo de que toda aquela história de
“esquerda comunista” era balela. Afirmava que iria prosseguir com a política
econômica praticada pelo seu arquiinimigo F.H.C. Mas nada adiantava e também
soava paradoxal, pois o povo queria a “esquerda” no poder, então como dizer que
não mudaria nada na economia? E o mercado reagia, reagia muito mal. Aliás era a
“esquerda” ameaçando. Tínhamos credibilidade!
A
crise se instaurou: inflação, pela alta do dólar, e dificuldades de empresas
com dívida em dólar, aliás, o governo precisara colocar papéis indexados ao
dólar – faltava moeda americana. Mesmo
assim, a taxa de juros em reais simplesmente dobrou entre março e setembro de
2002. A Bovespa despencou de 14 mil pontos para 8 mil. O dólar escalou de R$
2,30 para R$ 4,00. O risco Brasil, de 700 pontos para 2.400. E a taxa de juros
em dólar subiu de 5% para mais de 30% ao ano, sem contar a fuga de capitais.
E com 52% da população brasileira, Lula se elege presidente
do Brasil, nascia o paradoxo, iria governar com as mesmas medidas e políticas
econômicas do FHC, mas se dizia esquerda no poder, sem corrupção e sem vender o
Brasil aos Americanos, é o que dizia. Paradigma, como iria fazer isso? Pensava
os investidores.
Vivíamos o momento mágico de ter uma “esquerda” na Presidência, ledo engano.
Lula
ganhou, não deu calote, fez pacto com o FMI. Todo mundo acreditou e o mundo
também, veja os números abaixo: Os números mostram que o PT não mentia,
fazia mesmo a “matemágica” dos números:
Convergência |
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2003
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2004
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2005
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2006
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variação
do PIB (%)
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0,50
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4,90
|
2,30
|
*4,00
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Inflação
(%)
|
9,30
|
7,60
|
5,70
|
**3,70
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Desemprego
(%)
|
10,90
|
9,60
|
8,30
|
***10,40
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Exportações
(USSBI)
|
73,08
|
96,48
|
118,31
|
***74,52
|
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Câmbio
(fim do período)
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2,89
|
2,65
|
2,34
|
***2,18
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*Projeção
Ministério da Fazenda
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**
Expectativa de mercado
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***
Até Julho
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Fonte:
Banco Central
Em
2006 o Brasil parece outro país, do que se via há 4 anos atrás. Aquela fuga de capitais que quase levou o pais a
bancarrota, diminuía e graças a uma prudente administração dos dividendos da
bonança mundial, o Brasil gozava de uma reputação financeira melhor que em
qualquer período das últimas décadas, a classificação de risco soberana, medida
pelas agências internacionais de rating , nunca foi tão alta, e continua
melhorando. Todo brasileiro que não era petista, tinha cara de paisagem. Isso
tá cheirando mal. Mas nem desconfiávamos do que iria acontecer.
O “Custo Brasil” é alto e não houve esforços
para atrair investimentos, o capital estrangeiro que poderia ter entrado mais,
não entrou, o Custo Brasil não melhorou, o capital estrangeiro foi se afastando
– esse é o ciclo vicioso em que o Brasil se encontra e a cada eleição a balança
pende para um lado e todo o investidor saiu correndo.
Mas como? Os escândalos políticos aparecendo
todos os dia nos jornais no exterior, a cada 4 anos um terremoto político passa
pelo Brasil, as vezes, atingindo picos de 9 na escala de absurdos e corrupção.
Como conseguir credibilidade?
A reforma tributária está sendo
discutida no momento no Congresso, mas o sistema ainda continua complexo e com
juros muito altos. A infra-estrutura do país, de rodovias, por exemplo, não é
satisfatória. A rigidez fiscal que se
prometia, não aconteceu, a abertura para
as importações foi de maneira tímida – é preciso gastar os dólares, investir,
plantar para colher depois. Mas fomos à direção errada. Ideologizada, não fomos
atrás dos acordos de livre comércio, igual a todo mundo. Assim é a cartilha que
se rege no Mundo de investimentos Diretos, não podemos ser diferentes, como
atrair investimentos? A importância dos incentivos tem também um grande peso na
política de regulação. Ë essencial atrair investimentos em infra-estrutura que
sustentem a atividade em toda a economia brasileira. Uma regulação clara e
transparente é fundamental para atrair novos investimentos para setores-chaves
como energia e comunicação.
PT não
deu calote no FMI, mas deu calote nos brasileiros petistas e esquerdistas desde
1970 até hoje, que acreditavam na ideologia do PT, dos trabalhadores como o
nome do partido carrega, daqueles que por mais que a fome atente, a sede o
castigue, persevera em um objetivo digno e honesto. O ideal de ser ter uma
verdade de expressão que abranja a todos, principalmente aos menos favorecidos,
almeja igualdade de valores, sociedade
justa.
Porém, o país deixa para trás a dívida externa, para
se concentrar na solução da dívida interna, a intenção é boa e relevante mas a redução de gastos
públicos e a melhoria de qualidade de vida, pioraram. Ou seja, onde a política
econômica foi do PT, falhou. É Adeus, esquerda. Hoje 2013, a esquerda esta na cela, sinto um pesar sem tamanho ao ler as noticias dos jornais. Meu primeiro voto, primeira manifestação arredia contra a sociedade atuante de uma jovem aos 18 anos( tipico desta idade!) foi nula. Lembrei-me da sabedoria do velho Buda Negro do meu pai: Filha pare com besteira, é tudo igual depende do lado que você olha. O PT fará o mesmo,é uma questão de tempo e paciência...eles vão demorar mais tempo para fazer.
Fontes:
MDIC
– http: //www.mdic.gov.Br (disponível em 2/10/2006)
Banco
Central do Brasil – http:// www.bcp.gov.br
( disponível em 30/09/2006
América-economia
– 14 de agosto, 2006.
O
Estado de São Paulo. 13 de fevereiro de 2006.
Jornal
o Valor, 13 de setembro de 2006 (EU& Investimentos).

