domingo, 1 de dezembro de 2013

Governo Lula. Lado B do Brasil

 Em 2002, ano eleitoral onde iríamos eleger um novo presidente, a economia brasileira parecia à beira do caos absoluto devido ao temor de que Lula optasse pela política econômica que se vangloriavam os petistas e que constava nos documentos do Partido dos Trabalhadores desde 1970. A famosa esquerda! não ao FMI, não aos banqueiros, não à fome, não a corrupção e diversos outros “nãos” que adeptos e simpatizantes do partido pregavam.

 Mas o PT tentava desesperadamente avisar o mercado externo de que toda aquela história de “esquerda comunista” era balela. Afirmava que iria prosseguir com a política econômica praticada pelo seu arquiinimigo F.H.C. Mas nada adiantava e também soava paradoxal, pois o povo queria a “esquerda” no poder, então como dizer que não mudaria nada na economia? E o mercado reagia, reagia muito mal. Aliás era a “esquerda” ameaçando. Tínhamos credibilidade!

A crise se instaurou: inflação, pela alta do dólar, e dificuldades de empresas com dívida em dólar, aliás, o governo precisara colocar papéis indexados ao dólar – faltava  moeda americana. Mesmo assim, a taxa de juros em reais simplesmente dobrou entre março e setembro de 2002. A Bovespa despencou de 14 mil pontos para 8 mil. O dólar escalou de R$ 2,30 para R$ 4,00. O risco Brasil, de 700 pontos para 2.400. E a taxa de juros em dólar subiu de 5% para mais de 30% ao ano, sem contar a fuga de capitais.

E com 52% da população brasileira, Lula se elege presidente do Brasil, nascia o paradoxo, iria governar com as mesmas medidas e políticas econômicas do FHC, mas se dizia esquerda no poder, sem corrupção e sem vender o Brasil aos Americanos, é o que dizia. Paradigma, como iria fazer isso? Pensava os investidores.

Vivíamos o momento mágico de ter uma  “esquerda” na Presidência, ledo engano.
Lula ganhou, não deu calote, fez pacto com o FMI. Todo mundo acreditou e o mundo também, veja os números abaixo: Os números mostram que o PT não mentia, fazia  mesmo a “matemágica” dos números:

Convergência


2003
2004
2005
2006
variação do PIB (%)
0,50
4,90
2,30
*4,00
Inflação (%)
9,30
7,60
5,70
**3,70
Desemprego (%)
10,90
9,60
8,30
***10,40
Exportações (USSBI)
73,08
96,48
118,31
***74,52
Câmbio (fim do período)
2,89
2,65
2,34
***2,18





*Projeção Ministério da Fazenda



** Expectativa de mercado



*** Até Julho





Fonte: Banco Central

Em 2006 o Brasil parece outro país, do que se via há 4 anos atrás. Aquela  fuga de capitais que quase levou o pais a bancarrota, diminuía e graças a uma prudente administração dos dividendos da bonança mundial, o Brasil gozava de uma reputação financeira melhor que em qualquer período das últimas décadas, a classificação de risco soberana, medida pelas agências internacionais de rating , nunca foi tão alta, e continua melhorando. Todo brasileiro que não era petista, tinha cara de paisagem. Isso tá cheirando mal. Mas nem desconfiávamos do que iria acontecer.
 O “Custo Brasil” é alto e não houve esforços para atrair investimentos, o capital estrangeiro que poderia ter entrado mais, não entrou, o Custo Brasil não melhorou, o capital estrangeiro foi se afastando – esse é o ciclo vicioso em que o Brasil se encontra e a cada eleição a balança pende para um lado e todo o investidor saiu correndo.
Mas como? Os escândalos políticos aparecendo todos os dia nos jornais no exterior, a cada 4 anos um terremoto político passa pelo Brasil, as vezes, atingindo picos de 9 na escala de absurdos e corrupção. Como conseguir credibilidade?

A reforma tributária está sendo discutida no momento no Congresso, mas o sistema ainda continua complexo e com juros muito altos. A infra-estrutura do país, de rodovias, por exemplo, não é satisfatória.  A rigidez fiscal que se prometia, não aconteceu, a  abertura para as importações foi de maneira tímida – é preciso gastar os dólares, investir, plantar para colher depois. Mas fomos à direção errada. Ideologizada, não fomos atrás dos acordos de livre comércio, igual a todo mundo. Assim é a cartilha que se rege no Mundo de investimentos Diretos, não podemos ser diferentes, como atrair investimentos? A importância dos incentivos tem também um grande peso na política de regulação. Ë essencial atrair investimentos em infra-estrutura que sustentem a atividade em toda a economia brasileira. Uma regulação clara e transparente é fundamental para atrair novos investimentos para setores-chaves como energia e comunicação.

PT não deu calote no FMI, mas deu calote nos brasileiros petistas e esquerdistas desde 1970 até hoje, que acreditavam na ideologia do PT, dos trabalhadores como o nome do partido carrega, daqueles que por mais que a fome atente, a sede o castigue, persevera em um objetivo digno e honesto. O ideal de ser ter uma verdade de expressão que abranja a todos, principalmente aos menos favorecidos, almeja  igualdade de valores, sociedade justa.  

Porém,  o país deixa para trás a dívida externa, para se concentrar na solução da dívida interna, a intenção é  boa e relevante mas a redução de gastos públicos e a melhoria de qualidade de vida, pioraram. Ou seja, onde a política econômica foi do PT, falhou. É Adeus, esquerda. Hoje 2013, a esquerda esta na cela, sinto um pesar sem tamanho ao ler as noticias dos jornais. Meu primeiro voto, primeira manifestação arredia contra a sociedade atuante de uma jovem aos 18 anos( tipico desta idade!) foi nula. Lembrei-me da sabedoria do velho Buda Negro do meu pai: Filha pare com besteira, é tudo igual depende do lado que você olha. O PT fará o mesmo,é uma questão de tempo e paciência...eles vão demorar mais tempo para fazer. 


Fontes:
MDIC – http: //www.mdic.gov.Br (disponível em 2/10/2006)
Banco Central do Brasil – http:// www.bcp.gov.br ( disponível em 30/09/2006
América-economia – 14 de agosto, 2006.
O Estado de São Paulo. 13 de fevereiro de 2006.

Jornal o Valor, 13 de setembro de 2006 (EU& Investimentos).

segunda-feira, 9 de setembro de 2013

Deu Tilt?

Deu Tilt?

Em 1720 Isaac Newton o descobridor da lei da gravidade confessa: consigo calcular o movimento dos corpos celestes, mas não a loucura dos homens[i].   Existem níveis de depressão e seratonina que atuam no cérebro e são perfeitamente capazes de enviesar uma tomada de decisão. Estudos informam que uma pessoa com baixo nível de seratonina no cérebro é pouco racional[ii].  E então porque as pessoas hiper-racionais como por exemplo como Newton acabam tomando decisões irracionais quando o assunto é dinheiro? 

Não suportamos a incerteza de ficarmos pobres.  Será?

Talvez  dinheiro ou finanças nada tenha de comportamento será que o  comportamento do individuo altera sua racionalidade e por consequência suas decisões financeiras? Este é o “causo” de uma mulher de 37 anos, mãe, divorciada que mora com seus dois filhos pré-adolescentes e precisa decidir sobre suas prioridades.

Trabalho, mestrado, casa, dinheiro, namorado, lazer e filhos.
Mas poderia ser assim:

Filhos, dinheiro, namorado, trabalho, casa, amigos, mestrado e lazer.
Porém assim também seria legal:

Namorado, filhos, dinheiro, casa, amigos, diversão, mestrado e trabalho.
Mas namorado e amigos estão distantes, isso não é bom.

Filhos, mestrado, dinheiro, trabalho, namorado, casa, amigos e lazer.
Mas filhos não combinam com mestrado e dinheiro

Namorado pode também não combinar com filhos e mestrado
Filhos por vezes não combinam com trabalho e lazer.

Trabalha-se muito não sobre tempo para o lazer
Se não trabalho muito, não tem o lazer, a casa e o mestrado.

Às vezes também não tem o namorado
Mas os amigos, filhos serão para sempre.

Mas a casa, o namorado, o trabalho e dinheiro pode não ser.
Ou não?

Então qual seria a melhor combinação

A racionalidade deve estabelecer um padrão mínimo aceitável de comportamento humano satisfatório. Mas como determinar o que é prioritário.?



[i] Revista Super Interessante Ed.Nov/2008.
[ii] Desvendando a Mente do Investidor
Richard Peterson, Editora Elsevier, 2008.

terça-feira, 3 de setembro de 2013

Segundo: GANHO MUITO POUCO DE MESADA

Segundo: GANHO MUITO POUCO DE MESADA.

Em média R$10,00. Minha mãe disse que ia dar dicas para que eu gaste menos...mas todas as dicas são muito difíceis, tanto pior como estar no garrafão e errar o lance do basquete. Eu prestei atenção no que ela falou (vou resumir), pois ela fala muito, mas é só relaxar, que depois vc entende no final o que ela quer dizer com aquele sermão todo. É só prestar atenção no começo e no fim, aí vc saca o que ela quer dizer de verdade... Ela disse que não ia mais me deixar ir à padaria e disse também que eu preciso melhorar o meu comportamento, pois eu estou me tornando muito ansioso para ter as coisas e que esperasse até o meu aniversário chegar. Quem sabe eu poderia  ganhar o meu presente?. Aí ferrou tudo, pois eu faço aniversário em Outubro e hoje é março, como é que eu vou esperar tanto para ter o que eu quero agora. 

Terceiro:

Terceiro: Ela disse que esta seria umas das difíceis tarefas de entender o lance todo com o dinheiro. O Tempo: ele faz o dinheiro crescer e nos educa em relação aos nossos sentimentos. Tipo: não comprar agora para ver ser mais tarde a vontade continua.  Aí eu pensei que fosse parecido com aquele lance do impulso de arremessar a bola na cesta. Na hora não pode pensar, mas se vc já pensou, ou seja, terminou antes, aí não tem falha, vc pode arremessar a bola e com quase certeza vc vai fazer pontos.
Acho que com o dinheiro é o mesmo. Se eu me controlar e ver se aquilo que quero muito e preciso muito e não demorar muito, é porque preciso muito mesmo, então a compra vai ser legal.  Não gastei meu dinheiro com besteiras. Sabe que às vezes isso pode ser verdade mesmo. Outro dia me arrependi de comprar uma caixinha linda para botar as minhas balas, era baratinha mais quebrou na mesma hora... puxa fiquei bravo... Acho que foi impulso e a bola caiu fora.
Pedro 3/2011

Impulso: Quero comprar - Pedro: 11 anos.

Educação Financeira para Jovens e Crianças:

Primeiro -  Impulso: Quero comprar

Pedro: 11 anos.
Estou economizando minha mesada para comprar uma coisa, na verdade é um brinquedo... Irado, super legal só que estou com dificuldades muito grandes.
Primeiro: fico gastando o meu dinheiro com balas, chicletes e besteiras (digo qualquer coisa engraçadinha que no momento eu acredite que precise muito). Isso é muito constante... Não sei o porquê, eu sinto isso. Tenho que falar com a minha mãe... Será uma doença cerebral, fico meu alucinado só pensando em ter aquilo que quero?
E como se a  minha vida dependesse de ter aquilo, não consigo pensar em nada, fico vendo o que eu quero em todos os lugares, engraçado mesmo, aparece gente de todo jeito me falando sobre ter aquilo. Comerciais na TV, amigos do prédio, na escola. Um saco! Isso é muito doido. Já senti isso quando era mais novo, com os brinquedinhos que vinham dentro do Kinder Ovo... Me deixavam doido, ter que esperar para abrir o ovinho...eu sempre achava que não era repetido, mas aí eu cresci, nem ligo mais para o kinder ovo.  
Minha mãe diz que eu não preciso ter aquilo que eu quero, na hora que eu quero que é um lance do meu cérebro que manda este tipo de mensagem. Tipo: MSN, claro e objetivo a informação, eu acho, é só deletar da caixa de entrada.
Eu até acredito nela, mais ou menos. Por exemplo: Eu quero muito uma lupa grandona, preciso muito ver as perninhas das formigas, e meu cérebro também acha isso, porque ele não se esqueceu disso há mais de três meses, desde quando eu quebrei minha lupa velha. E toda vez que eu vejo uma lupa, eu me lembro das perninhas das formigas, então eu conclui que: eu e meu cérebro gostamos da mesma coisa... E não dar para ver as perninhas das formigas sem uma lupa grandona...
Mas a minha Mãe disse que eu não cuidei bem da minha lupa e que agora tenho que aprender a esperar etc. bla bla bla (depois de 10 minutos falando...). Ela se empolga é professora de finanças e adora economizar... Bom finalizando... Ela diz que se eu aprender a esperar meu cérebro vai começar aprender a selecionar o que é necessário e o que é impulso.  Parece bacana, mas não se sei funciona... Bom, entendi mais ou menos o que ela quer dizer com impulso. Acho que é sair gastando toda a mesada (na hora eu pensei que impulso era o mesmo  para jogar basquete, ou seja, impulso no garrafão para acertar a bola na cesta).
 Ela disse que é parecido mais diferente. Bom... já falei ela é meio complicada. Antes que ela falasse por mais de 10 minutos sem parar... Eu preciso arranjar uma conclusão, porque já estava quase começando a desistir do meu brinquedo...
Aí eu falei: Mãe é o seguinte. Tenho que conter um impulso para ganhar o que eu quero depois, num dia que eu não sei quando é? Sem noção! E que este impulso é diferente do que pular para jogar basquete. Impulso é quando a gente não pensa no que vai fazer apenas pula, ou seja, compra algo que ser quer muito, mas não faz cesta, entendeu? No basquete impulso pode ser o mesmo, se a gente não pensar direito na direção da bola, você pode errar o lançamento da bola, aí vc não faz pontos. E como pular sem a bola no garrafão. Faz sentido?
Não é claro que não. Bom deve ser isso. Impulso tem que ser pensado e esperado, mas aí não é impulso, eu disse. Perdeu a graça da coisa querida! ( exemplo as perninhas das formigas, caramba!
E minha mãe respondeu: Então não vai ser preciso esperar muito, é algo desnecessário não precisa ser comprado.
Vixe... !Agora deu...., misturar as ideias... Esperar para comprar ou comprar quando tem que esperar?...e aí quando for a hora de comprar talvez você não queira mais. Carambolas...?¨%(**#@!.
 Bom, sei lá... Só sei que seria legal ver as perninhas das formigas... Mas minha mãe vem com esse papo de Utilidade & Impulso. Ela vai ter que explicar!

Finanças para Jovens e Crianças

BetachapeuFinanças

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Mesada



Por que é necessário dar mesada aos filhos?

“Quando eu tiver setenta anos então vai acabar esta adolescência
vou largar da minha vida  louca e terminar minha livre docência (...)”  Leminski.

 Peter Pan, o menino que não queria crescer[1] criou uma legião de seguidores em pleno século 21. Qual a família que não tem um Peter Pan? Segundo alguns estudiosos do comportamento humano, são os nossos “tios e tias” com mais de trinta anos que ainda moram e dependem dos pais financeiramente e adiam as responsabilidades de viverem por conta e risco.
 Para a educadora Tânia Zagury,[2] amadurecer um filho-canguru é necessário alguns macetes. O primeiro deles é muito simples, mas em relação aos  filhos, simplicidade é algo complicado.
A escritora oferece uma listinha bem interessante sobre Direitos e Deveres:
1. Fazendo com que tenham direitos e deveres;
2. Mostrando que são capazes de assumir responsabilidades;
3. Estabelecendo regras democráticas de convivência;
5. Permitindo que assumam, à medida que crescem cada vez mais tarefas que lhe são próprias;
6. Tornando-os coparticipantes das decisões e medidas do dia-a-dia da família;
8. Estimulando-os a colaborar toda vez que a família se envolver em causas sociais, como doações, contribuições com alimentos, roupas para orfanatos e campanhas assistenciais;
9. Estimulando-os a ser financeiramente independentes, estabelecendo primeiramente uma mesada que deverá ser gerida por ele;
10. Tenha muita, mas muita paciência (esta dica é minha,).
Para Içami Tiba, outro estudioso do assunto, os pais devem conversar sobre dinheiro com os seus filhos, tranquilamente, com serenidade e sem exaltação, levando sempre em consideração a maturidade dos mesmos.  Tente explicar aos filhos que a origem do dinheiro é sempre o trabalho, conscientizando-os que o dinheiro não é “elástico”, ensina-los a distinguirem o necessário do supérfluo, desestimular o consumo por impulso, orientar para não desperdiçar e como economizar.  Mostrar o valor do dinheiro (coisas “caras e baratas”), e por fim, resistir à tentação de presentear os filhos a todo o momento e mais importante, não relacionar jamais ganho de dinheiro a desempenho escolar ou tarefas domésticas.

  O estudo realizado por instituições financeiras de Cartão de Crédito, com jovens entre 13 e 18 anos na Argentina, Brasil, Chile, Colômbia, Guatemala e México demonstrou como e onde os adolescentes costumam gastar seu dinheiro.   Entre os brasileiros, 83% afirmaram gastar tudo o que têm no curto prazo, ou seja, em menos de 01 ano, e 76% informaram que gastam dinheiro com compras por impulso.
O relatório da UNESCO[3] de outubro de 2012 informa que a população jovem do mundo é a maior que já existiu, que um em cada oito jovens está desempregado.  Além disso, mais de 25% estão em trabalhos que os deixam na linha da pobreza ou abaixo dela, com rendimento inferior a US$ 1,25 por dia. O documento ressalta que a profunda falta de qualificação da juventude é mais nociva do que nunca, principalmente em momentos de crises econômicas como esta em que estamos vivendo.
 Como mãe e profissional na área de Finanças, acredito que o primeiro passo para a educação financeira dos meus filhos foi à conscientização de quem somos nós, como é a nossa família, onde estamos, como vivemos e o que queremos em um futuro próximo, (3 meses) médio (2 anos) e  longo  (10 anos).
 A parte prática é a mesada, se tratando de crianças. A falta de educação financeira poderá comprometer o futuro profissional do seu filho e toda a sua família.  O amado filhote pode virar um peso morto nas suas costas e terá que trabalhar até aos 70 anos para “ainda” criar a sua prole. Isso para aqueles que acreditam que um filho de 30 anos realmente precisa de ajuda financeiramente.   Independência financeira é a primeira das ditas “liberdades[4]” da maturidade de um ser humano. Depois virão as outras liberdades, inclusive a sexual.
 Não dá para inverter a ordem natural das coisas (do mundo),  dinheiro e tempo,  não aceitam muitos descontos, abstrações ou desaforos, demonstrarão rapidamente o sucesso ou insucesso de uma vida inteira. Para toda liberdade há uma responsabilidade.

 Abaixo relaciono um método que apliquei e aplico nos meus filhos ao longo de 15 anos de observações e estudos sobre vida familiar e dinheiro. Salvo alguns desvios aleatórios, o método tem dado certo em minha família.  Entretanto Família e Filhos são diferentes e cada um tem a sua e o seu(s).  A Mesada pode ser o primeiro passo para uma conscientização, uma prática que se pode unir intelecto e comportamento, dois lados da mesma moeda.: Ter liberdade financeira sem causar dependência emocional.

Mesada


  04 a 07 anos: “Cofrinho”, moedas de 05, 10, 25, 50 centavos e de 1 real. Define-se um objetivo. Por exemplo: Comprar um brinquedo, fazer um passeio, algo que a criança queira muito. O legal é ensinar os numerais, valores monetários e frações, além de introduzir os conceitos econômicos de Dinheiro, Consumo e Poupança. Na parte comportamental[5] terá de aprender a controlar impulsos, esperar, poupar e investir. Ao final de 01 ano, abre-se o cofrinho, contam-se as moedas com a criança e leva-a para comprar o que foi estipulado no inicio do ano.  O importante não é o valor da mesada, é a regularidade dos “pagamentos”. Atenção: promessa é divida e combinado é combinado. Marque uma data específica e cumpra o que prometeu, não abra o cofrinho antes da data, não deixe de colocar as moedinhas e não prometa o que sabe que não poderá cumprir. Não cedam as chantagens de abrir o cofrinho, como “Ah pobrezinho, terá que esperar 1 ano para ter o brinquedo” irá dizer a tia, a vó, por favor, não ceda.  Lembre-se: educar financeiramente é uma questão de disciplina e persistência. Vocês, como pais, também estarão se educando também. Não deixem de colocar humor, alegria e risadas durante o processo. Aja como se fosse uma brincadeira, deste modo à sensação do esforço, sacrifício e dor desaparecerá e então dará espaço ao início de uma boa e saudável relação com o dinheiro.   

 08 a 13 anos: Mesada mensal: Essa idade é um pouco mais complicada, é preciso ensiná-los o valor do “volume e rendimento”. As chantagens serão mais intensas e o seu desafio será ainda maior. Não ceda, lembre-se: Educação Financeira é como praticar um esporte, não se pode parar, do contrário volta-se a estaca zero. Entretanto, deixe claro que os presentes (Aniversário ou Natal) fazem parte da cultura familiar e serão respeitados, ou seja, não serão comprados com a mesada. É preciso que eles, nessa idade, acreditem que mesada não é punição e nenhum mecanismo de castigo. Do contrário poderão carregar a sensação de que o dinheiro é ruim, poupar e ter dinheiro sugerem sacrifícios. E isso não é verdade!
  O ideal é estipular uma % (taxa) mensal para seus filhos, baseado nos salários dos pais, honorários ou rendimentos. Desse modo eles entenderão que aquele valor estipulado é justo em relação à situação econômica da família e há uma lógica nesta decisão. Devem-se respeitar as condições e classe social de cada família.  Comecem com 1%, 2% e 10% do menor salário da família: Por exemplo: Salário familiar mensal de R$ 6.000,00 então seria 60,00 por mês. O usual para esta idade é que não ultrapasse o valor de R$ 100 reais mensais.  Importante: Explique como estipulou o valor e como serão as condições do reajuste. Por exemplo: anual, de acordo com o salário da família, na mesma proporção, e que poderá aumentar ou diminuir de acordo com a situação financeira familiar A ideia é que possamos ensinar que o dinheiro é algo que pode crescer e diminuir dependendo da utilização. Faça-os entender de maneira pratica o conceito econômico “Utilidade[6]”, que pode variar de pessoa para pessoa, mas é essencial que tudo seja explicado nesta idade. Faça com que entendam que os gastos periféricos, por exemplo: balinhas, figurinhas, capinhas de celulares, modinhas, podem comprometer o objetivo final.
O essencial é que aprendam a juntar dinheiro (carteira ou cofrinho, ou caixinha) até ter a quantia necessária para comprar o objeto desejado. Será uma interessante tarefa de controle e paciência a ser aprendida por eles.   Imprima empolgação nesta atitude, envolva toda a família nessa nova rotina, comente com tios, avós sobre esta decisão, conte-lhes como foi que você comprou uma casa, carro etc. Dê exemplos de pessoas de sucesso com o dinheiro, por exemplo: Bill Gates no livro a Estrado do Futuro. Fale de dinheiro de uma forma tranquila, feliz e normal, descreva-o como uma habilidade a se adquirir por todos, jovens, adultos, crianças, idosos, como Jogar futebol, cozinhar, mexer no computador, falar outra língua etc. É preciso que eles entendam o correto funcionamento do dinheiro na vida deles, não alimente o descaso ou indiferença e nem a extrema importância muito menos obsessão pelo dinheiro. 

14 até a 18 anos: Continue com a mesada mensal e institua os cartões eletrônicos de Débito, ou poupança, nunca o de Crédito. Chegou a hora de ensinar-lhes o valor da porcentagem, juros e rendimentos. Leve-os a uma agência bancária, de preferência a mesma da família. Fale com o gerente e abra uma conta poupança para ele ou uma conta “vinculada a sua” Entretanto é essencial que seu filho tenha um cartão eletrônico, com nome e senha dele. Faça com que o seu filho acompanhe todo o processo de abertura de conta. Inclusive assinatura nos documentos, comente sobre as responsabilidades em ter uma conta em um banco e quando foi que você abriu a sua. Faça desta ocasião um evento.    E todo o mês no dia combinado faça o deposito. Há muitas facilidades nos dias de hoje, veja alguns exemplos [7]. Ajude seus filhos a perceber as diferenças entre querer e precisar de alguma coisa. Todos devem se acostumar, desde cedo, a viver dentro do seu padrão de renda e a fazer seu orçamento pessoal.
A prática da mesada é até o adolescente ter seu primeiro emprego, como parece estar cada vez mais longínqua a independência financeira dos jovens adolescentes. Estes estão alongando a adolescência e, portanto sugere-se que encontre um meio termo. Por exemplo: Até terminar a faculdade, ou conseguir um estagio remunerado, é bom que tenham a sensação que a mesada não será para sempre. Um dia ela vai acabar querendo ou não. Nesta etapa o interessante é ensinar o Valor do dinheiro no tempo e a utilização de cartão de débito, conta bancária, tarifas, juros e multas e ir procurando lhes mostrar como é bom ser independente financeiramente. Você estará ensinando o valor do dinheiro no tempo, o famoso conceito em finanças chamado VPL e principalmente ajudando-os a lidar com a expectativa, o valor da continuidade e o valor de juros e rendimentos. Ajude-os a planejar uma viagem[8] e fazer um cofrinho na moeda local do país que vai viajar, por exemplo, Euro/ Dólar, ou deixar na poupança, faça-o procurar qual é o rendimento da poupança naquele ano.
Pode parecer muito trabalho para os dias de hoje, ou seja, os pais trabalham quase 12 horas por dia, pode ser impraticável. 

Não se fiem nisso. Acredite a sua liberdade e a dos seus filhos estão em jogo. É só  questão de rotina  e disciplina, e uma conversa de pouco mais de 10 minutos por dia, os resultados serão imediatos e uma vez aprendidos será para sempre, como andar de bicicleta.  Imagine ter filhos educados financeiramente ao entrar na Universidade no início da fase adulta é um grande valor. Aliás, acredito que esta é a maior de todas as heranças. Importante: estimule seus filhos a pagar suas próprias compras, introduza e fixe conceitos de regularidade e dependência do dinheiro para algumas coisas.  Ajude seus filhos a perceberem as diferenças entre querer e precisar.  Ensine também a importância de saber escolher, na hora da compra, entre o que é necessidade e desejo. Estimule seus filhos a comparar preços, fazer pesquisa, dê-lhe estas para que desenvolvam a percepção do que é caro e do que é barato. Evite comprar aquilo que eles considerarem caro, mesmo que você possa fazê-lo, agregue o conceito de custo-benefício[9].
Alguns produtos bancários  podem ajudar no controle dos gastos dos filhos quando os pais não estiverem por perto. Um dos mais eficazes é o Cartão pré-pago,[10] que pode ser utilizado pelos filhos para saques ou realização de compras desde que os pais tenham depositado dinheiro previamente. É uma boa alternativa para os pais que já sofreram com o descontrole de gastos dos filhos nos cartões de crédito. Cartões pré-pagos de viagem, cartões de desconto e cartões de presente, apesar de serem mais usados no exterior, também podem ser úteis na “missão” de evitar que os jovens causem prejuízos.
Por fim, após os 18 ou 21 anos depende de cada família, ter ou não, certa noção sobre dinheiro[11], a próxima grande conquista será a busca pela profissão, trabalho, a união do gostar do que se faz e ser recompensado dignamente pelo o que fez.  Será uma nova fase, hora de colher o que plantou.

Sandra Almeida
Betachapeu Finanças!
02/2013. SP.



[1] BARRIE, James (c1939). Peter Pan. Tradução: Maria Antonia Van Acker. Hemus, São Paulo.
[2] ZAGURY, T. Encurtando a adolescência. Rio de Janeiro: Record, 2010.
[3] http://www.unesco.org/new/en/media-services/single-view/news/developing_young_peoples_skills_for_work_is_a_must_new_unesco_report_urges/
[4] Escrevi um artigo sobre Liberdade Financeira e Sexual na adolescência.
[5] Este é o meu principal tema na área Financeira, O Comportamento. Escrevo um diário sobre o assunto resultado de alguns anos como Consultora Financeira Pessoal.
[6] Estou escrevendo um artigo sobre o Conceito “Utilidade”, este eu aprendi com o meu filho de 11 anos. Em uma viagem ao Ceará.
[7] http://www.clickconta.com.br/Bradesco
[8] Este tema é importante para a minha Família, tem um artigo sobre 15 anos & Viagem.
[9] Escrevi um artigo sobre este tema, aprendi com a minha filha de 14 anos. Bolsa para Escola.
[11] “Sem noção”, este foi o tema de um artigo sobre as minhas experiências de ser professora de Finanças para Alunos da Graduação.