domingo, 1 de dezembro de 2013

Governo Lula. Lado B do Brasil

 Em 2002, ano eleitoral onde iríamos eleger um novo presidente, a economia brasileira parecia à beira do caos absoluto devido ao temor de que Lula optasse pela política econômica que se vangloriavam os petistas e que constava nos documentos do Partido dos Trabalhadores desde 1970. A famosa esquerda! não ao FMI, não aos banqueiros, não à fome, não a corrupção e diversos outros “nãos” que adeptos e simpatizantes do partido pregavam.

 Mas o PT tentava desesperadamente avisar o mercado externo de que toda aquela história de “esquerda comunista” era balela. Afirmava que iria prosseguir com a política econômica praticada pelo seu arquiinimigo F.H.C. Mas nada adiantava e também soava paradoxal, pois o povo queria a “esquerda” no poder, então como dizer que não mudaria nada na economia? E o mercado reagia, reagia muito mal. Aliás era a “esquerda” ameaçando. Tínhamos credibilidade!

A crise se instaurou: inflação, pela alta do dólar, e dificuldades de empresas com dívida em dólar, aliás, o governo precisara colocar papéis indexados ao dólar – faltava  moeda americana. Mesmo assim, a taxa de juros em reais simplesmente dobrou entre março e setembro de 2002. A Bovespa despencou de 14 mil pontos para 8 mil. O dólar escalou de R$ 2,30 para R$ 4,00. O risco Brasil, de 700 pontos para 2.400. E a taxa de juros em dólar subiu de 5% para mais de 30% ao ano, sem contar a fuga de capitais.

E com 52% da população brasileira, Lula se elege presidente do Brasil, nascia o paradoxo, iria governar com as mesmas medidas e políticas econômicas do FHC, mas se dizia esquerda no poder, sem corrupção e sem vender o Brasil aos Americanos, é o que dizia. Paradigma, como iria fazer isso? Pensava os investidores.

Vivíamos o momento mágico de ter uma  “esquerda” na Presidência, ledo engano.
Lula ganhou, não deu calote, fez pacto com o FMI. Todo mundo acreditou e o mundo também, veja os números abaixo: Os números mostram que o PT não mentia, fazia  mesmo a “matemágica” dos números:

Convergência


2003
2004
2005
2006
variação do PIB (%)
0,50
4,90
2,30
*4,00
Inflação (%)
9,30
7,60
5,70
**3,70
Desemprego (%)
10,90
9,60
8,30
***10,40
Exportações (USSBI)
73,08
96,48
118,31
***74,52
Câmbio (fim do período)
2,89
2,65
2,34
***2,18





*Projeção Ministério da Fazenda



** Expectativa de mercado



*** Até Julho





Fonte: Banco Central

Em 2006 o Brasil parece outro país, do que se via há 4 anos atrás. Aquela  fuga de capitais que quase levou o pais a bancarrota, diminuía e graças a uma prudente administração dos dividendos da bonança mundial, o Brasil gozava de uma reputação financeira melhor que em qualquer período das últimas décadas, a classificação de risco soberana, medida pelas agências internacionais de rating , nunca foi tão alta, e continua melhorando. Todo brasileiro que não era petista, tinha cara de paisagem. Isso tá cheirando mal. Mas nem desconfiávamos do que iria acontecer.
 O “Custo Brasil” é alto e não houve esforços para atrair investimentos, o capital estrangeiro que poderia ter entrado mais, não entrou, o Custo Brasil não melhorou, o capital estrangeiro foi se afastando – esse é o ciclo vicioso em que o Brasil se encontra e a cada eleição a balança pende para um lado e todo o investidor saiu correndo.
Mas como? Os escândalos políticos aparecendo todos os dia nos jornais no exterior, a cada 4 anos um terremoto político passa pelo Brasil, as vezes, atingindo picos de 9 na escala de absurdos e corrupção. Como conseguir credibilidade?

A reforma tributária está sendo discutida no momento no Congresso, mas o sistema ainda continua complexo e com juros muito altos. A infra-estrutura do país, de rodovias, por exemplo, não é satisfatória.  A rigidez fiscal que se prometia, não aconteceu, a  abertura para as importações foi de maneira tímida – é preciso gastar os dólares, investir, plantar para colher depois. Mas fomos à direção errada. Ideologizada, não fomos atrás dos acordos de livre comércio, igual a todo mundo. Assim é a cartilha que se rege no Mundo de investimentos Diretos, não podemos ser diferentes, como atrair investimentos? A importância dos incentivos tem também um grande peso na política de regulação. Ë essencial atrair investimentos em infra-estrutura que sustentem a atividade em toda a economia brasileira. Uma regulação clara e transparente é fundamental para atrair novos investimentos para setores-chaves como energia e comunicação.

PT não deu calote no FMI, mas deu calote nos brasileiros petistas e esquerdistas desde 1970 até hoje, que acreditavam na ideologia do PT, dos trabalhadores como o nome do partido carrega, daqueles que por mais que a fome atente, a sede o castigue, persevera em um objetivo digno e honesto. O ideal de ser ter uma verdade de expressão que abranja a todos, principalmente aos menos favorecidos, almeja  igualdade de valores, sociedade justa.  

Porém,  o país deixa para trás a dívida externa, para se concentrar na solução da dívida interna, a intenção é  boa e relevante mas a redução de gastos públicos e a melhoria de qualidade de vida, pioraram. Ou seja, onde a política econômica foi do PT, falhou. É Adeus, esquerda. Hoje 2013, a esquerda esta na cela, sinto um pesar sem tamanho ao ler as noticias dos jornais. Meu primeiro voto, primeira manifestação arredia contra a sociedade atuante de uma jovem aos 18 anos( tipico desta idade!) foi nula. Lembrei-me da sabedoria do velho Buda Negro do meu pai: Filha pare com besteira, é tudo igual depende do lado que você olha. O PT fará o mesmo,é uma questão de tempo e paciência...eles vão demorar mais tempo para fazer. 


Fontes:
MDIC – http: //www.mdic.gov.Br (disponível em 2/10/2006)
Banco Central do Brasil – http:// www.bcp.gov.br ( disponível em 30/09/2006
América-economia – 14 de agosto, 2006.
O Estado de São Paulo. 13 de fevereiro de 2006.

Jornal o Valor, 13 de setembro de 2006 (EU& Investimentos).