Consumo
& Experiências
Após
um mês mochilando nos EUA posso dizer que aprendi o valor do custo agregado do What´s app e demais aplicativos. Além, é
claro, da deliciosa oportunidade de viajar com filhos e a confirmação de que educação financeira
só funciona na prática, principalmente para jovens no início de sua vida de consumo. Como a viagem era presente de
aniversário, aproveitei a deixa. Saí
do Brasil com medo do cartão de crédito e firme no propósito de relaxar, afinal
a viagem era dela (filha) planejada ao longo de 4 longos anos.
A
primeira grande lição foi perder aquela sensação desconfortável de dizer: " admiro os EUA" sem o medo de parecer uma capitalista
desumana ou consumista fútil e alienada. Mas também não parecer uma enrustida
“ A Esquerda Caviar” (do Rodrigo Constantino) apesar do meu histórico socialista
hippie dos anos 90. Sinceramente?! É impressionante o modo como os Americanos fazem
negócios. Genial! Os caras sabem vender e vendem de tudo.
Nossa primeira parada, Washington DC, fomos a uma dúzia de museus, galerias e exposições,
tudo grátis! Cidade moderna, bonita e tecnológica. Amei os supermercados self service! Tivemos a sorte de ver as
comemorações de 4 Julho na casa do Obama rs, e foi pertinho da Casa Branca que tivemos
a primeira lição de finanças.
Após mais um dia de Arte & Galerias passamos em frente a uma loja de roupas, se não fosse a arquitetura moderna e monstruosa da loja, tínhamos passado direto. Mas os olhos atentos da garota ao meu lado brilharam e ela gritou. ", Mãe é a Forever 21, vamos entrar". Me puxou pela mão e sem escutar alguns dos meus resmungos entramos na loja. Paradas e atônitas na porta principal e colossal da loja de departamentos, deu cansaço só de olhar para as escadas rolantes que mais pareciam uma montanha russa. Suspirei: fazer o que? Então ela disse: " Mãe, vem comigo você precisa participar desse grande momento na minha vida"!
Após mais um dia de Arte & Galerias passamos em frente a uma loja de roupas, se não fosse a arquitetura moderna e monstruosa da loja, tínhamos passado direto. Mas os olhos atentos da garota ao meu lado brilharam e ela gritou. ", Mãe é a Forever 21, vamos entrar". Me puxou pela mão e sem escutar alguns dos meus resmungos entramos na loja. Paradas e atônitas na porta principal e colossal da loja de departamentos, deu cansaço só de olhar para as escadas rolantes que mais pareciam uma montanha russa. Suspirei: fazer o que? Então ela disse: " Mãe, vem comigo você precisa participar desse grande momento na minha vida"!
Ops!!!! “Grande
momento da minha vida”, eu ouvi isso mesmo? Como assim!!
E os Museus, Galerias,
o Capitólio, a Estátua de Lincoln?, Nem consegui retrucar e ela já tinha
desaparecido entre as centenas de araras e manequins da loja. Depois de 2 horas, eu com olhar de paisagem, observei que havia gente de tudo
quanto era jeito na loja. Havia algo em comum entre todas aquelas
mulheres, homens e crianças, acho que é o jeito engraçado que temos quando
estamos juntos e felizes escolhendo roupas, parecemos um bando de “passarinhos
cantando”. O entre e sai dos provadores, os suspiros ao olhar no espelho, os
personagens que viramos quando estamos comprando roupas, que pode ser de Sophia
Loren á Scarlet Johansson, James Bond a Brad Pitt.
"Mãe,
olha só o preço disso"?
"Olha
a qualidade, maaeeee". "Nunquinha na vida íamos comprar uma roupa destas por este
preço. "Isso sim é finanças, mãe. Escolhe uma mãe!" eu já escolhi esses 4" e saiu
correndo com os braços cheios de roupas para o provador. E nesse momento percebi que aquelas roupas
eram muito mais do que “panos”, tecidos e adereços. Eram alguma coisa que não é
material, cada peça de roupa trazia em seu conceito uma sensação emocional para
quem a comprava. E como se viesse junto com a peça de roupa um mundo secreto, que só a dona da coisa comprada sabia. A roupa era a porta de entrada para
aquele mundo de faz de conta, para quem já cresceu.
Aliás Conta!?, cartão de crédito, ops! acordei do devaneio!
Aliás Conta!?, cartão de crédito, ops! acordei do devaneio!
Bom,
querida, adorei participar da “melhor experiência da sua vida” mas temos que
fazer escolhas e o que temos para hoje é:
Início de viagem, 5 cidades a conhecer e 22 dias de alimentação,
hospedagem, transporte e uma mala que suporta apenas 30 quilos. Lembre-se seremos nós duas que a carregaremos. Além
disso, só para constar, nosso gasto diário deverá ser R$ 70,00 dólares (all in)
e, portanto, terá que escolher apenas uma peça de roupa por até U$ 30 dólares,
se quiser almoçar hoje. E por favor
decida nos próximos 10 minutos se não vou surtar, e você terá que me internar,
os hospitais aqui são caríssimos e com certeza o nosso seguro viagem não cobre
surtos psicológicos, pronto falei e fui para o caixa.
A
reação dela foi a mesma coisa que terapia de casal. Acusações, chantagens,
queda de pressão, ameaças, auto piedade, foi dos 16 aos 5 anos de idades em 3
segundos. Fui chamada de nazista, preconceituosa, desinformada, rancorosa e velhinha amarga por não ter tido uma Forever 21 na minha época, etc etc. E eu lá na fila, com cara de poucos amigos, com
o meu olhar de HP 12c, fria e calculista, nada disse. Nesse momento lembrei – me do livro (O Império
do Efêmero do Lipovestky) que discorre sobre a influência da Coco Chanel na economia
francesa e internacional. De como o modo de pensar feminino nos anos 20 mudou
uma época, como a roupa e seu formato estético influenciou uma geração, de como
as mulheres se comportaram após a introdução da calça comprida. Uma única peça
de roupa e sua força social e cultural no mundo.
Com
os braços cheios de roupas, ou seja “personagens”, ela tinha que tomar uma decisão, apenas 1
roupa por $30. Olhei de soslaio e meu coração apertou, parecia que deixava partes
do corpo no balcão, a cada peça que rejeitava, a coitadinha sofria, por fim
escolheu um vestidinho (aliás o primeiro que viu de $28). Veio para a fila do caixa com ares de
sofrimento terminal e olhou-me como se eu fosse uma serial killer, deu um risinho cínico dizendo: "Escolheu um também
mamãe?" Confirmei com um sorriso amarelo. E ela continuou dizendo: "Apesar
de ser professora de finanças, ainda é mulher, né"?
Sorri, lembrei -me de quando era criança, na minha casa fazíamos rodizio de roupas
entre as irmãs, era tão normal, tínhamos que aceitar e ponto final!. E hoje percebo que não sofro por fazer escolhas. Saímos correndo da
loja, vai que o arrependimento bate rs.
Lá fora, respirei aliviada e percebi que a gente procura no consumo algo
que nos dê experiência de qualquer tipo, emocional, sensorial, física ou comportamental. E a compreensão deste “sentimento” sobre o que estamos
procurando nessas “coisas” pode ser o começo de uma relação onde teremos mais
experiências e menos consumo, menos “coisas” e mais sentimentos, menos dinheiro
e mais memórias, menos armários e mais lembranças e por fim, menos trabalho e mais tempo. E que não fará mal se tais “experiências”
vierem embrulhadas em lindos vestidinhos de $28, obviamente, após de escolher muito
e comedidamente, está é a chave para os filhos, ensinar medidas...
Serviço: O Hostel Capital View de Washigton D.C , site: http://www.dclofty.com/about-us.html era diferente do que estava no site, deixou a desejar no quesito limpeza, mas a localização compensou, perto de tudo, andamos o tempo todo a pé.
