sexta-feira, 11 de março de 2016

Não tem graça rir sozinho: Capitalismo e Novas formas de Consumo.

- Mãe quanto você acha que vale esses sapatos? Só usei umas 4 vezes, ela disse.
- Eu perguntei - Porque?
- Ela responde: Porque eu vou vender no brechó da faculdade pelo Facebook.  Três dias depois...
 -  Mãe:  já vendi os sapatos, obrigadaaaa o preço estava bom, vendi rapidinho, vou entregar amanhã no Colégio.
Esta cena tem sido recorrente em casa e no mundo hoje em dia. Preste atenção, não é modinha do momento, é um novo padrão de consumo que está mudando o comportamento dos jovens e da sociedade.  Ainda é um movimento tímido, mas presente e tem tudo para ser a nova cara do consumo, divertido, descolado e fácil.  

México, Chile e outros emergentes, (incluso Brasil) bem como, os países da OCDE, organização que reúne as nações mais industrializados do mundo estão noticiando uma desaceleração no crescimento desde ano passado, entretanto, países digamos que seguem outro padrão de organização econômica tem registrado resultados bem diferentes, por exemplo o PIB do Vietnã cresceu 5,98% em 2014, depois do crescimento de 5,42% no ano anterior. Pesquisadores dizem que o Vietnã é um exemplo de crescimento com sucesso e igualdade, ao contrário da China que cresce com desigualdade, onde é perceptível que o capital por vezes está na contramão do crescimento, paradoxal, mas verdadeiro, vê-se muito hoje a transformação das relações de Trabalho  & Capital em relações de Escravidão. 

E parece tão normal que a gente nem percebe, quando vê, estamos trabalhando 18 horas para sustentar um padrão de consumo que nem ao menos nos interessa. Nesse momento de crise é onde existe todas as possibilidades do “novo” surgir, é no caos que o novo prospera. Acredita-se que o Capitalismo tenha chegado ao fim, esgotado o modelo de economia em que se produz socialmente e ganha-se individualmente,  e o resultado é somente de alguns.  Modelo que já dá  as caras de que não se sustenta, basta de tantas crises, está histérico.  

Então que venha o novo, as novas economias, as trocas, solidárias, comunitárias, as cooperativas, as startups, as empresas de compartilhamento. Viva a Netflix, o Whats app,  Facebook,  Uber, Yahoo, Gmail, Google, Spotify, Instagram, Twitter  e muito outros  que ainda estão  encubadas nessa geração que diz que não vale a pena rir sozinhos.


Mas, também não seria justo cuspir no prato que come!. Vivemos sob esse regime do capital por anos, gerações e nos fartamos até o pescoço.  Agora seja sincero, dá uma olhada ao seu redor, observe de “fora do shopping” o mundo que vive, e por um minuto apenas, me diga:  Dá para falar mal do Capitalismo sem se sentir culpado?


Fontes: IPEA- Acesso em 09\03\2016. Disponivel em:  http://ipea.gov.br/agencia/images/stories/PDFs/boletim_internacional/bepi-17_cap5.pdf