
Minha geladeira durou 17 anos. Incansavelmente,
forte, robusta e reinava absoluta na cozinha.
Hoje, depois de alguns consertos,
deixou de existir. Fiquei triste ao vê-la indo embora (doei as peças para a
Casa André Luiz). Imagine o que seria do Mercado, da Indústria e do Comércio
se “as coisas”, objetos, utensílios, móveis durassem todo esse tempo?
Como
seria o mercado na Lei de Oferta e Demanda? E o emprego? A produção? O cluster produtivo no mercado? Obviamente um outro mercado surgiria e expandiria, como era algumas décadas atrás. Tudo se consertava e hoje,
compra-se novo. Isso é bom ou ruim?
Imagine
só se fossemos aplicar os conceitos financeiros de VPL (Valor Presente Líquido) nesta geladeira. Que valor incalculável teria!. Sem falar no “Mais Valia” defendido por Karl Marx.
Fiquei mesmo emocionada com
tudo o que ela representou para mim.
Senti uma comoção ao vê-la ali, parada, quente,
não gelava mais, não fazia aquele barulhinho de motor intermitente que me
lembrava a minha infância. (A da minha mãe também durou 20 anos).
Lembrei-me de quando morava
sozinha, a economia que fazia com os potinhos de comida congelada da mãe. Depois
quando me casei, a mão na roda que era ter “comidinhas rápidas e congeladas”. Depois os cubinhos de gelo em
forma de papinhas para as crianças e por último o suco gelado e a pizza adormecida
dos meus filhos adolescentes. Senti um apego por este objeto que atravessou
o tempo na minha vida.
A durabilidade
das coisas e seu valor real " econômico & emocional" em nosso cotidiano.
Fontes:
http://www.espacoacademico.com.br/038/38tc_callinicos.htm
. “The revolutionary ideas of Karl Marx", Editora Bookmarks, Londres.
A. A. Groppelli. Administração Financeira. São
Paulo. Saraiva. 2010
