domingo, 16 de outubro de 2016

A ECONOMIA COMPORTAMENTAL


Pense nisso:
     a) Você prefere ganhar $250 agora, ou b) uma chance de 25% de ganhar $1000 e uma chance de 75% de não ganhar nada?
Ou:
      c) Prefere perder $750, ou d) uma chance de 75% de perder $1000 e uma chance de 25% de não perder nada?

O famoso economista e filosofo Inglês Adam Smith, 1776 em seu livro “A Riqueza das Nações” afirmava que as pessoas são egoístas, por natureza e diz:   "Não é da benevolência do padeiro, do açougueiro ou do cervejeiro que eu espero que saia o meu jantar, mas sim do empenho deles em promover seu "auto interesse".   Platão, entre tantos outros filósofos afirmavam que o homem é um ser racional.

Mas, entretanto, porém, todavia, alguns estudiosos do assunto dizem que não é bem assim, nem sempre são egoístas. Elas   calculam o custo e o benefício, os prós e contras de suas ações.   E ainda, de um modo geral, possuem preferencias, gostos, padrões de comportamento estáveis, alguns previsíveis, geralmente influenciados por informações, lembranças, sentimentos, emoções e sensações e acabamos por responder a esse coquetel Molotov sensitivo de modo automático seguindo esses estímulos, por vezes nada racional e tão pouco lógico e quase sempre aleatório.
  •  Se você escolheu a alternativa A, faz parte do grupo da maioria, “ sem risco”. Ou seja, prefere não correr risco para ganhar.

  • Se escolheu a alternativa  D “mais arriscada” também faz parte da grande maioria, por não querer “perder”, arrisca ainda mais.

Isso acontece porque temos maior aversão à perda do que desejo por um ganho equivalente, em outras palavras “perder” é mais doloroso do que o prazer de “ganhar”.

O Nobel de 2002 a Teoria da Perspectiva de Kahneman e Tversky (1979), surge como um avanço nos estudos sobre finanças comportamentais e afirma que a disposição para correr riscos é influenciada pelo modo como as escolhas são apresentadas, ou seja, depende do coquetel emocional que estiver sob efeito, nada racional.


Fonte:
Avila, F. e Bianchi, A. (Orgs.)(2015). Guia de Economia Comportamental e Experimental.São Paulo. EconomiaComportamental.org. Disponível em www.economiacomportamental.org. Licença: Creative Commons Attribution CC-BY-NC – ND 4.0
KAHNEMAN, D. & TVERSKY, A. (1979). "Prospect theory: an analysis of decision under risk." Econometrica47(2):263-91.
SMITH, Adam. A Riqueza das Nações: uma biografia. P.J. O’Rourke; tradução, Roberto Franco Valente. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 2008.

sexta-feira, 22 de abril de 2016

A Contabilidade da felicidade no mundo: bem-estar, satisfação no trabalho e desenvolvimento sustentável.



Arquivo pessoal
O primeiro relatório sobre a Felicidade foi publicado em Abril de 2012, em apoio à reunião do conselho da ONU sobre a felicidade e bem-estar, presidido pelo primeiro-ministro do Butão.  E a partir deste momento a felicidade tem sido considerada como uma variável, ou seja uma medida adequada para representar o progresso social e o objetivo da política pública.

O relatório da Felicidade nos fornece uma contabilidade completa da distribuição de felicidade da população separada por região e país. E a felicidade é tida como uma medida melhor, mais adequada para indicar bem- estar do que os conceitos contábeis de praxe, como por exemplo:  Renda, Classe Social, qualidade de vida entre outros em relação ao contexto social.

Ainda os estudiosos descobriram que a desigualdade no quesito “bem –estar” oferece uma medida adequada em à relação a desigualdade, do que as medidas geralmente aceitas e utilizadas que são a distribuição de renda e a riqueza do indivíduo.   O relatório vai longe e relata que há algumas evidências preliminares de que o desenvolvimento sustentável é uma variável propícia para indicar felicidade e ainda que a felicidade é maior nos países em que estão mais preparados e desenvolvidos em relação ao Desenvolvimento Sustentável, conforme os objetivos aprovados pelas Nações Unidas em setembro de 2015.

E por último os pesquisadores concluem:  O argumento tradicional de que a liberdade econômica deve ser defendido acima de todos os outros valores, parece falhar no teste da felicidade: não há evidências de que a liberdade econômica por si só seja uma das principais variáveis que contribuem diretamente no bem-estar humano, obviamente em relação a sua contribuição para a renda per capita e o emprego.  E por fim os pesquisadores afirmam que há um vasto caminho a aprender sobre as fontes profundas do bem-estar humano, principalmente no que se refere as características específicas do trabalho e sua relação favorável ou desfavorável ​​para a felicidade. O relatório termina mencionando o Papa Francisco que compartilha e enfatiza que a satisfação no trabalho é fonte fundamental do bem-estar humano.

Para ler na íntegra o RELATÓRIO DA FELICIDADE MUNDIAL DE 2016:  http://worldhappiness.report/

Fonte: Helliwell, J., Layard, R., & Sachs, J. (2016). World Happiness Report 2016, Update (Vol. I). New York: Sustainable Development Solutions Network.

sexta-feira, 11 de março de 2016

Não tem graça rir sozinho: Capitalismo e Novas formas de Consumo.

- Mãe quanto você acha que vale esses sapatos? Só usei umas 4 vezes, ela disse.
- Eu perguntei - Porque?
- Ela responde: Porque eu vou vender no brechó da faculdade pelo Facebook.  Três dias depois...
 -  Mãe:  já vendi os sapatos, obrigadaaaa o preço estava bom, vendi rapidinho, vou entregar amanhã no Colégio.
Esta cena tem sido recorrente em casa e no mundo hoje em dia. Preste atenção, não é modinha do momento, é um novo padrão de consumo que está mudando o comportamento dos jovens e da sociedade.  Ainda é um movimento tímido, mas presente e tem tudo para ser a nova cara do consumo, divertido, descolado e fácil.  

México, Chile e outros emergentes, (incluso Brasil) bem como, os países da OCDE, organização que reúne as nações mais industrializados do mundo estão noticiando uma desaceleração no crescimento desde ano passado, entretanto, países digamos que seguem outro padrão de organização econômica tem registrado resultados bem diferentes, por exemplo o PIB do Vietnã cresceu 5,98% em 2014, depois do crescimento de 5,42% no ano anterior. Pesquisadores dizem que o Vietnã é um exemplo de crescimento com sucesso e igualdade, ao contrário da China que cresce com desigualdade, onde é perceptível que o capital por vezes está na contramão do crescimento, paradoxal, mas verdadeiro, vê-se muito hoje a transformação das relações de Trabalho  & Capital em relações de Escravidão. 

E parece tão normal que a gente nem percebe, quando vê, estamos trabalhando 18 horas para sustentar um padrão de consumo que nem ao menos nos interessa. Nesse momento de crise é onde existe todas as possibilidades do “novo” surgir, é no caos que o novo prospera. Acredita-se que o Capitalismo tenha chegado ao fim, esgotado o modelo de economia em que se produz socialmente e ganha-se individualmente,  e o resultado é somente de alguns.  Modelo que já dá  as caras de que não se sustenta, basta de tantas crises, está histérico.  

Então que venha o novo, as novas economias, as trocas, solidárias, comunitárias, as cooperativas, as startups, as empresas de compartilhamento. Viva a Netflix, o Whats app,  Facebook,  Uber, Yahoo, Gmail, Google, Spotify, Instagram, Twitter  e muito outros  que ainda estão  encubadas nessa geração que diz que não vale a pena rir sozinhos.


Mas, também não seria justo cuspir no prato que come!. Vivemos sob esse regime do capital por anos, gerações e nos fartamos até o pescoço.  Agora seja sincero, dá uma olhada ao seu redor, observe de “fora do shopping” o mundo que vive, e por um minuto apenas, me diga:  Dá para falar mal do Capitalismo sem se sentir culpado?


Fontes: IPEA- Acesso em 09\03\2016. Disponivel em:  http://ipea.gov.br/agencia/images/stories/PDFs/boletim_internacional/bepi-17_cap5.pdf