quarta-feira, 29 de agosto de 2018

O passado não nos representa mais.


Arquivo pessoal
Acordei e logo de manhã li a notícia: A OIT (Organização Internacional do Trabalho), em 2017, menciona que praticamente 30% dos Brasileiros com menos de 25 anos estão sem trabalho e que a estimativa sobre este índice brasileiro é mais de duas vezes superior do que a média internacional[i].  O dia prometia, pensei enquanto esperava a água do cafe ferver. Vivemos em uma época sem precedentes e nossos filhos não são como éramos na idade deles e o passado não importa mais, muito menos para eles.

Sou mãe de jovens adolescentes e, portanto, este texto é retirado  de um contexto empírico e não onírico. Há  dois anos, a angustia dos cursinhos e vestibulares imperam em nossa casa. “O que faremos nos próximos 30 anos?” Interrogam-me todos os dias com seus olhos devoradores de mães analógicas. “Você sabia o que queria ser quando tinha a minha idade, mãe?” Penso: “esta resposta é uma cilada, pressinto...” Há  uma dezena de discursos prontos  para a resposta: O discurso que aprendi com meus pais, o discurso econômico da minha época, o cidadão, o centro-direita, o de esquerda, o  neoliberal, o da mãe coitada, o da mãe descolada, o da mãe culpada, o da mãe intelectual, o da  psicanalisada, o da mãe do lar e por aí vai... Mas observo que quando começo a discursar, me empolgo e eles  não parecem me escutar ou entender. Logo querem uma formula; um algoritmo!  Parece que nada e que ninguém saiu ileso do século 20...  

No entanto, eles incansavelmente perguntam, inconformados com o simples “não”: “Como é que você descobriu o que queria fazer quando tinha minha idade?” “ Se não sobrar trabalho para mim,  mãe?!” Por alguns segundos reflito e  penso:  Eu não escolhi minha profissão,  fui escolhida pelas circunstâncias, pelas necessidades e pela escassez em todos os sentidos, porém, no meio do caminho, acabei gostando e me aperfeiçoando por aquilo. Á medida que dava certo seguia ajeitando o percurso. Os meus desejos e habilidades eram medidos de acordo com esse caminho e, invariavelmente, não tínhamos opção, era a nossa condição de sobrevivência. Nós vivemos julgando essa geração tal como éramos julgados por nossos pais e assim por diante. Desde Sócrates seguimos criticando a geração futura – os “sem futuro”- preguiçosos, nenens,  arrogantes e perdidos. Nunca o mundo nos pareceu tão  fácil e frágil como é para eles,  a  geração xyz.

Eles desenham e desenharão  o mundo de forma absolutamente diferente do que era no passado. Mas é bom sabermos que essa geração criou o Smartphone,  Netflix, Spotify, Uber, Waze, Instagram, Facebook e Airnb. Foram eles que baratearam e democratizaram o uso da comunicação,  de locomoção, do entretenimento. Retiraram as  barreiras geográficas do mundo, sem falar que proporcionaram a queda de muitos tabus e estereótipos sociais.  E ainda é estranho como eles parecem não querer nada com nada...

Eles  buscam a experiencia do ser e negam a vontade do ter. E por fim, respondo: “Ah, filhos! Eu não sabia, não tinha certeza! Mas tive que tentar, atrever-me e enfrentar o erro. Errar  nem sempre é ruim, todavia,  é melhor do que não tentar”.  E por fim, tentei fechar a discussão com uma frase que gosto muito:  “o caminho se faz ao caminhar...”
Certeza? Eu não tinha de nada.


quarta-feira, 1 de agosto de 2018

A espera pelo consumo...


Arquivo Pessoal
Os agentes  econômicos não são racionais afirma a Economia Comportamental  e quem endossa tal afirmação é o  Prêmio Nobel 2017 Richard Thaller. Porém desde há muito tempo  Adam Smith ( 1759) já desconfiava  que  fatores emocionais  estariam presentes no ato de tomar decisões ( em seu livro  “The Theory of Moral Sentiments”) além é claro, de categoricamente afirmar que o agente econômico é egoísta.😧
Mas não levamos muito a sério tal descoberta e agora diante de tantas contribuições da  Economia Comportamental começa-se a reflexão de que nos dias atuais a racionalidade está em baixa no mundo. Vejamos,  Tversky e Kahneman (1984)  outro Prêmio Nobel afirma em sua Teoria do Prospecto que os indivíduos teriam uma maior aversão  à perda, do que o ganho. Melhor,  que a dor da perda de uma aposta é maior do que a simpatia, vontade de  ganhá-la. Pois é, parece estranho, mas é isso. Você prefere até não ganhar do que ter que perder.  
Há pesquisas que indicam que boa parte da população utiliza o Consumo, o ato de comprar, para aliviar o stress e para se sentir bem. A pesquisa realizada pela SPC Brasil em 2016  aponta  que três em cada dez (29,5%) consumidores concordam que fazer compras melhora o humor e 24,5% confessam realizar compras quando se sentem deprimidos. Isso é racional?
Sem mimimi, faça uma triagem no seu extrato do cartão de crédito, procure por aquele item recorrente em suas compras e verifique se o ato da compra coincide com momentos de estresses e de oscilações emocionais. Identifique qual o comportamento que o leva a comprar, consumir "sem uma real necessidade" e observe o quanto de dinheiro foi gasto e ainda  não consideramos isso como perda... Felizmente eu já identifiquei o meu, o item é livro,  o sentimento é de felicidade, e mesmo assim me controlo toda vez que passo por uma livraria. Não consigo ler todos os livros que desejo ao mesmo tempo, portanto farei um gasto que posso posterga-lo e  ainda corro o risco de comprar mais barato o livro, ou tempo para programar a compra.


Fontes:
KAHNEMAN, D. Thinking, Fast and Slow. Penguin Books, 2011
SMITH, A. The Theory of Moral Sentiments. Cambridge University Press, Cambridge, U.K, (1759) 1981
SPC Brasil. Consumo. Disponível emhttps://www.spcbrasil.org.br/pesquisas/pesquisa/1207 Acesso em 31.jul.2018.

THALER, R.H. Misbehaving: The making of behavioral economics. W. W. Norton & Company, Inc, New York, 2015.