quarta-feira, 1 de agosto de 2018

A espera pelo consumo...


Arquivo Pessoal
Os agentes  econômicos não são racionais afirma a Economia Comportamental  e quem endossa tal afirmação é o  Prêmio Nobel 2017 Richard Thaller. Porém desde há muito tempo  Adam Smith ( 1759) já desconfiava  que  fatores emocionais  estariam presentes no ato de tomar decisões ( em seu livro  “The Theory of Moral Sentiments”) além é claro, de categoricamente afirmar que o agente econômico é egoísta.😧
Mas não levamos muito a sério tal descoberta e agora diante de tantas contribuições da  Economia Comportamental começa-se a reflexão de que nos dias atuais a racionalidade está em baixa no mundo. Vejamos,  Tversky e Kahneman (1984)  outro Prêmio Nobel afirma em sua Teoria do Prospecto que os indivíduos teriam uma maior aversão  à perda, do que o ganho. Melhor,  que a dor da perda de uma aposta é maior do que a simpatia, vontade de  ganhá-la. Pois é, parece estranho, mas é isso. Você prefere até não ganhar do que ter que perder.  
Há pesquisas que indicam que boa parte da população utiliza o Consumo, o ato de comprar, para aliviar o stress e para se sentir bem. A pesquisa realizada pela SPC Brasil em 2016  aponta  que três em cada dez (29,5%) consumidores concordam que fazer compras melhora o humor e 24,5% confessam realizar compras quando se sentem deprimidos. Isso é racional?
Sem mimimi, faça uma triagem no seu extrato do cartão de crédito, procure por aquele item recorrente em suas compras e verifique se o ato da compra coincide com momentos de estresses e de oscilações emocionais. Identifique qual o comportamento que o leva a comprar, consumir "sem uma real necessidade" e observe o quanto de dinheiro foi gasto e ainda  não consideramos isso como perda... Felizmente eu já identifiquei o meu, o item é livro,  o sentimento é de felicidade, e mesmo assim me controlo toda vez que passo por uma livraria. Não consigo ler todos os livros que desejo ao mesmo tempo, portanto farei um gasto que posso posterga-lo e  ainda corro o risco de comprar mais barato o livro, ou tempo para programar a compra.


Fontes:
KAHNEMAN, D. Thinking, Fast and Slow. Penguin Books, 2011
SMITH, A. The Theory of Moral Sentiments. Cambridge University Press, Cambridge, U.K, (1759) 1981
SPC Brasil. Consumo. Disponível emhttps://www.spcbrasil.org.br/pesquisas/pesquisa/1207 Acesso em 31.jul.2018.

THALER, R.H. Misbehaving: The making of behavioral economics. W. W. Norton & Company, Inc, New York, 2015.

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