segunda-feira, 7 de setembro de 2015

Não é justo, não pagar o preço justo!

Economistas dizem que o valor de todos os bens deve ser medido pela sua necessidade.  
Quanto você pagaria por uma edição do ano passado do seu game, revista, ou aplicativo ¿ 

Qual é a sua necessidade de tê-lo hoje¿.

A gente quase nunca faz isso.

Parar para pensar no que vai comprar.  O preço de qualquer coisa é dado pelo preço de mercado. Mercado é onde todo mundo compra e vende seus produtos e serviços, de acordo com o conceito econômico.
 Os produtos ficam disponíveis para compra ou venda entre empresas, indústrias, bancos, eu e você. Todo mundo está no mercado, vendendo ou comprando coisas ou serviços. E é esse mercado que regula os preços de acordo com uma lei chamada Oferta e Demanda, ou seja, quem quer comprar, compra de quem quer vender.

O preço justo é aquele que o “mercado”, ou seja, eu e você e todo mundo podemos ou estamos dispostos a pagar.  Obviamente isso dependerá da capacidade financeira desse “alguém”, mas isso é outra coisa. O Importante é responder: Como é que se avalia a a necessidade de ter ou comprar algo¿ Como saber se preciso muito, pouco ou médio dessa “coisa” desejada¿.  
Atenção! A resposta vai depender da capacidade de responder estas perguntas. O que é necessidade, ou um simples querer, ou até um desejo para mim?  O “justo” vai adequar a estes três fatores.

Alguns pesquisadores dizem que se algo custar mais do que as pessoas estão preparadas para pagar, elas não comprarão. E com isso forçarão o comerciante abaixar os preços. Hummm sei não.  Isso seria maravilhoso e mas acho que só aconteceria em um mundo perfeito.

Mas como não somos perfeitos e o nosso mundo também não é, então saímos por aí enlouquecidos  entre quero, necessito e desejo. Comprando o quer nos der a telha, em busca de satisfazer as nossas necessidades rapidamente, sem ao menos nos questionar se o preço é justo ou não. Acontece isso com você¿ ou só comigo¿

A situação piora muito se você não tiver noção de quanto custa cada coisa que deseja, então, justiça seja feita, o  mercado cobra o que quer já que você não sabe se é justo ou não.

Sem falar se a gente compra alguma coisa porque não há muito como escolher, nao tem concorrência, aí então só a justiça divina para nos salvar!


quinta-feira, 30 de julho de 2015

MAS É VELHO!

Meu carro tem 12 anos. Me leva para passear, supermercado, filhos para o colégio, roda na chuva, sol e na lama. Não uso carro para trabalhar, prefiro no transito, ler livros (ônibus, metro e trens). Roda em SP e fora dela como qualquer outro. Leva multa, revisão todos os anos, não tem vazamento, não tem esquentamento, não trepida e não tem cheiros(gasolina).

MAS É QUADRADO!

IPVA é barato, seguro nem tanto, mas deixo na rua sem medo, tem algumas riscos, que pelo tempo parecem cicatrizes,é da família faz tempo portanto tem nome e sobrenome: Ratão Aguenta Firme da Silva.   Porta mala grande,  barulhinho do motor que reconheço de longe.  Manutenção barata, qualquer alça de sutiã faz um conserto rápido.

MAS ESTA FORA DE MODA!

Na chuva ele não se intimida, aguenta firme, o banco está macio, modelado ao meu corpo, anatômico, rs, corre como loco, gasta pouca gasolina e não ferve o motor.

MAS NÃO VALE NADA NO MERCADO!

Qual é o valor de um carro que vale menos de R$ 8.000,00 no mercado e atende as minhas necessidades? Porque preciso trocar? E o valor agregado ? A utilidade das coisas? Carro nos dias atuais virou passivo e não ativo!!! Será?

O consumo pelo consumo, cansa?!


segunda-feira, 22 de junho de 2015

Cartão de Banco & Game Over!


No banco, esperamos uma hora para sermos atendidos. Pensei: começamos bem! Olhei-o e o percebi um pouco tenso, afinal era a sua primeira visita ao banco, como cliente, fiz questão de acompanhar.  Aos 14 anos já era um rapaz e então estava na hora de começar a pensar em dinheiro.

No caminho ao Banco, ele era todo conversa, estava feliz, aproveitei e disse-lhe algo que queria ter ouvido aos 13 anos... que a independência Financeira é umas das mais importantes liberdades que uma pessoa pode conquistar, e quanto mais cedo entendermos isso, menos dependência do dinheiro teremos,  e mais livres seremos na vida. Não é apologia ao dinheiro, e dar a “ele” a devida importância e respeito, conforme o ditado, “não existe almoço grátis!”

Ninguém consegue ser totalmente livre, se não conquistar a liberdade financeira continuei, (mesmo com ele revirando os olhos de tédio, ao me ouvir falar). Filhos reviram os olhos ao falar de assuntos “chatos” com os pais, não me intimidei:   Hoje  é o seu primeiro passo, administrar sua mesada, transporte, conta do celular e lanches no colégio e para isso  será  necessário que você aprenda  toda essa parafernália de conta corrente, cartões bancários, senhas, taxas, segurança, planejamento, o custo de cada coisa e  etc. Você vai gostar terá uma porção de senhas a decorar. (Dessa vez, fui eu que revirei os olhos). 

Ele me encarou e disse:  Eu jogo games muito mais complicados, mãe!!!!- Será moleza, disse rindo.  
Percebi que ele ficava tenso a medida que o atendente ia falando, apreensivo ao ler todas as regras e normas bancarias, senhas, cuidados e as devidas penalidades. Teve que deletar alguns aplicativos do seu celular e colocar o do Banco e o totten de senhas, (sim, agora a senha é gerada no próprio celular, adeus chaves de seguranças) e viva a tecnologia.  Se perder o celular, nem acessar a sua conta no banco, poderá, Jesuis!  Após 3 horas, voltamos para casa em silêncio.

Nos primeiros dias, a cada ida à padaria lhe dava satisfação, compras com cartão então:  de balas á credito no celular era uma novidade, na escola pagava com cartão sua própria refeição e dizia ter o seu nome no cartão, falava com orgulho.  Mas basto-lhe, um mês de liberdades, e os problemas chegaram. - Mãe: acabou o dinheiro e hoje não tenho como almoçar. Não sei onde gastei!  O crédito no celular também! E o pior esqueci o cartão na cantina, depois caiu do bolso e o mais grave: Perdi o cartão. E agora?!  A cara dele dava medo, respondi:  - Pegue os formulários e leia sobre as regras de perder cartão, senha e etc. e boa sorte.  Na vida real as coisas são diferentes, não existem vidas extras, querido.

Não foi fácil para um garoto de 14 anos administrar sua conta, créditos no celular, almoço e transporte mais a mesada (essa ele poderia gastar com o que quisesse). Misturou tudo e acabou voltando a ter que levar lanches de casa para não ficar fome, esquecia o cartão e quando não, a senha, e quando estava com o cartão, esquecia o celular, e sem o celular, não tinha a senha, foi uma roda gigante esses dois meses, uma tortura. Sem falar nas duas horas no banco cancelando cartão, senhas, por duas vezes e etc.   

Mas no fim o saldo era positivo: Ele aprende como é que o dinheiro saí da conta corrente, e em pouco tempo terá que aprender como é que o dinheiro “entra” na conta corrente. Aprender a construir a liberdade financeira, é uma questão de treino, e quanto mais cedo, melhor!

Serviço: Produto bancário para jovens de 11 a 17 anos: fonte: http://www.bradesco.com.br/html/classic/produtos-servicos/conta-corrente/click-conta.shtm. acesso em 01.06.2015. 

terça-feira, 24 de março de 2015

Quando Menos Não é Mais.





Simples assim!  O economista Francês Piketty jogou tinta no ventilador ao declarar que os ricos estão cada vez mais ricos e os pobres cada vez mais pobres, até ai tudo bem, a gente sabe disso. Porém, segundo seus estudos, o problema é que esse suposto “equilíbrio” (Pobres & Ricos) se distanciou muito de uma convivência harmoniosa (se isso é possível) e está em “desiquilíbrio”, vejam só!.  E ainda corre-se o risco de travar o sistema capitalista e não ter pobres para contar a história.
Segundo Piketty  é mais ou menos assim:  O “capital” que é a riqueza que gera mais riqueza está concentrado nas mãos de poucas pessoas. (Veja no link  abaixo o gráfico) bem poucas mesmo!  E essa riqueza gera renda e não receita!

 Qual a diferença¿

Renda é obtida pelos aluguéis, dividendos, juros de investimento e não possui lastro produtivo. É capital financeiro sobre acúmulo de juros. Receita é o lucro das empresas ao venderem seus produtos e serviços no mercado, possui lastro produtivo.
Por exemplo:  lucro das empresas(Receitas) em forma de aumento na produção devido ao aumento na demanda de algum bem ou serviço, e portanto, o lastro é a produção e consequentemente o emprego.
O gargalo diz Piketty é se a concentração de renda aumentar muito, mas muito mesmo, e esse rendimento do capital ultrapassar o crescimento da economia.

Vamos imaginar ...

Os trabalhadores ricos, esses que figuram no topo da pirâmide, (menor parte, vide gráfico abaixo) não consomem tudo o que ganham, impossível (caviar todo dia deve enjoar) e então investem o que poupam (criando mais capital), utilizam-se das fontes de acumulação “juros sobre juros” exponencialmente a juros de mercado (Ops! Selic deve bater 13% em 2015). E apenas uma parte do dinheiro que ganham vira consumo, aliás consumo que gastam no estrangeiro.  Segundo o Banco Central, 2014, as despesas de brasileiros no exterior totalizaram 25,60 bilhões de dólares, o maior valor já registrado desde o início da série histórica, em 1947, pois é...

Agora Imaginem os trabalhadores pobres, (vide gráfico no link abaixo) esses que figuram na base da pirâmide, (maior parte) consomem quase tudo o que ganham (casa, saúde, moradia e educação) e não poupam nada ou quase nada, pois não sobra! Não utilizam-se da acumulação capital muito menos da lei do exponencial dos Juros sobre Juros e a distribuição (custo de vida) do que ganham é quase 100% para a sua sobrevivência. E portanto para seu sustento básico terá perda em exponencial! Sendo assim, o Capital (parado, sem lastro produtivo, dinheiro no banco) dos mais ricos crescem exponencialmente ao ritmo de juros de mercado, e o salário dos mais pobres decrescem ao ritmo da inflação, diminuição da força de trabalho e o aumento do custo de vida.

 Para terminar o Francês joga a pá de cal e simplifica: “É muito simples a desigualdade nasce quando a taxa de crescimento do capital, seus rendimentos, é maior que a taxa de crescimento das outras receitas, por exemplo a do trabalho.  Resumindo em um bom português, Dinheiro parado, sem nenhum esforço produtivo, vale mais do que dinheiro ganho com a força do trabalho.
Lembrei-me de uma frase de um outro economista famoso: “No longo prazo, todos estaremos mortos! (Keynes), bom eu já faço parte da parte dos  “Brazillians walking deads”.

Credit Suisse Report

Obs: Pasmem! o Brasil está fora da pesquisa, não foi fornecido acesso a base de dados para o estudo. Mas tudo bem!!!!, seria mesmo vergonhoso se o Frances tivesse tido acesso aos  dados e não encontrasse desigualdade econômica no Brasil. 





Fontes:
Banco Cnetral: http://www.bcb.gov.br/?ECOIMPEXT. Acesso 18.03.2015.
Revista Veja: http://veja.aumbril.com.br/noticia/economia/gasto-de-brasileiros-no-exterior-e-recorde-em-2014

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

7 X 1....


Outro dia, na turma de Gestão Financeira, escrevi na lousa:  7 x 1.

Mal terminei de escrever e a turma de (80 alunos) já estavam ao berros gritando: “Não!”, “Não!”. Começaram a falar ruidosamente todos ao mesmo tempo.  Davam suas opiniões, vereditos, resumos e argumentavam, resmungavam. O trauma ainda persistia e queriam uma explicação para “aquilo”, diziam.  Após 15 minutos vermelhos, emocionados e comovidos por lembranças doloridas consegui a atenção dos 160 pares de olhos interrogativos sobre o tema da aula
7 X 1.   Oba! Era a minha deixa.

Inflação pode bater 7% e o PIB projetado de 1%.  E ai?

A aula era sobre Mercado Financeiro e tinha que falar sobre o impacto da Inflação nos Mercados e no mundo Corporativo.

                                 Silêncio na sala de aula.

O primeiro corajoso arrisca:  
- Ah! Professora, não acredito! Também!  Já não basta o fracasso na Copa, Vixe!
Mais um:  
- Essa tal Inflação eu não sei, mas o efeito de perder a Copa eu sei bem qual foi. Uma vergonha, a gente virou piada no mundo.
Outro:
- Por exemplo, como é que a gente sabe se estamos com inflação?, como mede? E o PIB então, como é que a gente sabe que estamos indo mal?.
Outro ainda:
- Professora. Passa a lista?
Um gritou no fundão:
 - Está vendo, “pro”. Não tem regras, ninguém sabe muito bem como é, a gente sabe que é importante, mas não sabe para quê, risos.  
E mais uma
- Ninguém explica direito essa história de PIB, só quando a gente chega na faculdade.  Agora futebol a gente aprende desde criancinhas. Todo mundo sabe as regras do futebol, duvido que a Sra. não sabe o que é um impedimento!
Por fim mais um:
 - “prof.” é melhor esquecer mesmo. Como é que a gente percebe a Inflação? parece que ganhar ou perder tudo fica na mesma.
E mais um:  
- Arbitro, Juiz, bandeirinha todos sabem das regras e seguem. Quando um erra, o Juiz, por exemplo, a gente logo sabe que ele é o ladrão. E na economia, são eles que fazem as regras, como saber quem está roubando? logo aparecem outros, mudam as regras.

Fiquei ali parada no meio da sala de aula, por alguns minutos assimilando o tremendo desafio que tinha pela frente. Falar de Inflação para aquela turma sem parecer a leitura dos 10 mandamentos em hebraico.  E se possível demonstrar qual é o efeito da Inflação na vida cotidiana de cada um deles sem ser “DR” pai e mãe. Tive uma ideia

Então eu disse: Vocês já viram um Siri na panela ?


P.S. lembrei-me de uma passagem interessante, bem ilustrativa nas férias em Atins (2011) (Maranhão, 600 km de São Luiz) e de um pescador em especial, sobre o efeito da inflação na vida da gente.




Fonte Banco Central. Acesso em 11.02.2015.  http://www1.folha.uol.com.br/mercado/2015/02/1587277-mais-pessimista-mercado-preve-inflacao-em-715-e-pib-estagnado.shtml

terça-feira, 20 de janeiro de 2015

A durabilidade das coisas...


Minha geladeira durou 17 anos. Incansavelmente, forte, robusta e reinava absoluta na cozinha.

Hoje, depois de alguns consertos, deixou de existir. Fiquei triste ao vê-la indo embora (doei as peças para a Casa André Luiz). Imagine o que seria do Mercado, da Indústria e do Comércio se “as coisas”, objetos, utensílios, móveis durassem todo esse tempo?
Como seria o mercado na Lei de Oferta e Demanda? E o emprego? A produção? O cluster produtivo no mercado?  Obviamente um outro mercado surgiria e expandiria,  como era algumas décadas atrás. Tudo se consertava e hoje, compra-se novo.  Isso é bom ou ruim?

Imagine só se fossemos aplicar os conceitos financeiros de VPL (Valor Presente Líquido) nesta geladeira. Que valor incalculável teria!. Sem falar no “Mais Valia” defendido por Karl Marx.

Fiquei mesmo emocionada com tudo o que ela representou para mim. 

Senti uma comoção ao vê-la ali, parada, quente, não gelava mais, não fazia aquele barulhinho de motor intermitente que me lembrava a minha infância. (A da minha mãe também durou 20 anos).

 Lembrei-me de quando morava sozinha, a economia que fazia com os potinhos de comida congelada da mãe. Depois quando me casei, a mão na roda que era ter “comidinhas rápidas e congeladas”. Depois os cubinhos de gelo em forma de papinhas para as crianças e por último o suco gelado e a pizza adormecida dos meus filhos adolescentes.  Senti um apego por este objeto que atravessou o tempo na minha vida.

 A durabilidade das coisas e seu  valor real " econômico & emocional" em nosso cotidiano. 

 Fontes:
 http://www.espacoacademico.com.br/038/38tc_callinicos.htm . “The revolutionary ideas of Karl Marx", Editora Bookmarks, Londres.  

 A. A. Groppelli. Administração Financeira. São Paulo. Saraiva. 2010


quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

Finanças & Comportamento$ Dinheiro.

A falta dele, o que fazer com ele,  e como conviver com ou sem ele!

Quanto vale um real ? Vale o mesmo para nos dois?


Todo ano a mesma coisa. Dicas, listas, planejamentos, Como enriquecer em dez passos, O que os Patos têm a dizer,  50 passos para enriquecer rápido e seguro.

Uma pergunta sempre ficou sem resposta nas minhas Consultorias. Quais seriam as variáveis (positivas ou negativas) que identificam o perfil ou a tendência de uma pessoa em relação a problemas ou sucessos financeiros? Quais seriam os sintomas daqueles que não conseguem manter-se no planejamento, poupar, investir e saber comprar?.  E quais são os comportamentos daqueles que conseguem? Há uma dúzia de livros sobre o assunto, todos indicando o caminho, como hábitos, procedimentos, atitutes e etc... Mas não me convencem!

Ultimamente a psicologia  se uniu  a área financeira em busca de respostas, (vide referencias).  Será o Comportamento do indivíduo a resposta? Confesso que há muito tenho observado nas minhas Consultorias que o comportamento é relevante e revelante, mas quanto? 

E pensando sobre  que tal  um desafio!  Passar  uma ano (01 ano), sem consumir nada, absolutamente nada, nadica de nada, somente os itens previstos no orçamento. se tiver um.   Itens estimados no orçamento familiar obviamente considerando  perfil, família, hábitos, rotinas.

Será que sentir na "pele" o durante e o depois fará a gente perceber o quanto é difícil ou moleza, me conta depois¿ 

 Até mais e um maravilhoso ano de 2015 para nós.

Mlodinow, Leonardo. O andar do Bêbado. Rio de Janeiro. Ed. Zahar, 2008
DUNN, Elizabeth NORTON, Michael. Happy Money: The Science of Smarter Spending.
 LEVINSON, Kate. Emotional Currency. Cambridge. Ed. Celestial Arts- Random House. 2010.