segunda-feira, 22 de janeiro de 2018

EMH - $50 dólares.


Em finanças toda vez que é preciso explicar a teoria EMH – Mercado Eficiente conta-se uma piada, lembrei me dela por esses dias em férias, principalmente depois que o Thaler[1] ( Prémio Nobel em economia comportamental) disse  que somos todos tolos e  irracionais...

“Dois pesquisadores encontram uma nota de 50 reais na calçada.  Um dos pesquisadores  diz: Não  é uma nota de 50 dólares no chão? O outro afirma: Parece, mas se fosse alguém já teria passado e ficado com ela”.  Eugene Fama em 1960[i] diz alega  sob a  hipótese de mercado eficiente, a qualquer momento,   em um mercado líquido, os preços refletem todas as informações disponíveis.  Ou seja, se fosse uma nota de $50 dólares alguém teria pego[2]!  

Parece lógico, não é?  Porém  algumas considerações sobre o fato de que $50 dólares podem não parecer $50 dólares, vejamos. Temos como diz os pesquisadores que levar em conta  que o passado e simulações históricas não interferem ou não são relevantes  em relação ao  futuro,  e que o preço,  por exemplo de alguma coisa (produto ou serviço)  é um “passeio aleatório”[3] ou seja,  o passado não representa o futuro. Portanto $50 dólares podem não ser mesmo $50 dólares, pode até parecer, mas o mercado pode dizer que não é.

Calma... ainda alguns  dizem  que  a única verdade é que  as informações são suficientes e necessárias para ajustar o preço no  mercado somente hoje e não amanhã , pois  amanhã,  todos estaremos mortos, isso quem diz já é o Keynes.[4] Eita?!  Mas como estou em férias voltei a pensar na  Teoria do Prospecto[5] ( também Nobel em Finanças Comportamentais)  talvez o que falte para a gente perceber que $ 50 dólares são $ 50 dólares  é um “ponto de referência” ,  algo que defina $50 dólares. Mas então voltamos a  teoria  sobre o  mercado de capitais  é eficiente que  significa que todo mundo possui informações e,  portanto, se $50 dólares fosse $50 dólares não estaria no chão. Vou tomar um café...

Voltei rápido... lembrei já definiram[6] Eficiência em níveis, vejamos:  Os preços refletem as informações contidas nos preços dos históricos, e, portanto,  discordamos que os preços é um passeio aleatório e, sendo assim , é uma afirmação (Fraca). Segunda, os preços refletem não somente o passado como também toda a informação publicada restante,  ou seja,  os preços se ajustam pela informação pública, considera- Semiforte. Terceiro, os preços refletem não somente a informação pública, mas também a informação futura em base de dados intrínsecos da empresa, bem como da economia vigente, e com isso entrará o conceito ainda inseguro em finanças, porém com fortes tendências a ser tornar cientifico que seria investidores com sorte   investidores sem sorte, pois dependerão muito do lado esquerdo do cérebro para administrar os ganhos do lado direito.  Mas, que sorte, é aleatório, ou não? E se considerarmos o que o Thaler disse que somos irracionais?

Já angustiada refleti sobre as anomalias? “Aquilo que apresenta uma anormalidade ou irregularidade, que não é normal, não contém um padrão regular, e sim típico”  Então estamos falamos de comportamento? O preço só se diferenciaria se eu soubesse, encontrasse, previsse previamente as  anomalias do mercado e ainda tivesse sorte e um ponto de referência, então poderia considerar que $50 dólares são $50 dólares. Parei por aqui,  acho que preciso de terapia.
Decidir fazer um passeio aleatório no bairro e vê se acho $50 dólares  e então decidirei  se os “mercados” tem ou  não tem memória, se existe preço justo, se $50 dólares para mim,  não é o mesmo para você e etc.

Já se foi o tempo que a psicologia era uma coisa  e economia era outra, esse casamento tem mudado o  jeito de viver a vida, ainda bem.




[1] Thaler, Richard H., 1945–Nudge : improving decisions about health, wealth, and happiness / Richard H. Thaler and Cass R. Sunstein.
p. cm.
[2] BREALEY, Richard A.; MYERS, Stewart C. Principles of corporate finance. 5.ed. New York, N.Y.: MacGraw-Hill, 1996
[3] Fama, Eugene F. (September–October 1965). "Random Walks In Stock Market Prices".
[4] Keynes, John Maynard, 1883-1946. The General Theory of Employment, Interest and Money. London :Macmillan, 1936.
[5] Kahneman, D. (2012). Rápido e devagar: duas formas de pensar (p. 607). Rio de Janeiro: Objetiva.
[6] FAMA, E. F. Efficient Capital Markets: II. The Journal of Finance. Vol. 46. n.5, dec.1991.
FAMA, E. F. Efficient Capital Markets: A Review of Theory and Empirical Works. The Journal of Finance. V.25, n.2,  p.383-417. may.1970.





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