terça-feira, 19 de julho de 2011

MINHA HISTÓRIA

Mulher maravilha volta ao lar

Depois de 20 anos de vida executiva larguei tudo para ficar mais com meus filhos, trabalhar menos e ser feliz

Essa é uma história de verdade, igual à de muitas mulheres que, como eu, estão no mercado de trabalho e ao mesmo tempo são esposas, donas de casa, mães, amantes, estudantes, conselheiras, amigas, filhas e o que a sociedade moderna exigir. Tudo isso sem deixar de ter bom humor, obviamente tentar ser magra, cabelo escovado, ética e amorosa... e sem descuidar da vida amorosa.

Todos os dias às 5 horas da manhã já acordava me sentindo cobrada e atrasada - e era apenas um dia comum de trabalho. Como sou divorciada e moro com meus filhos não tem divisão: todas as tarefas de casa passam por mim. Convencer os filhos a irem para escola, uniformes, lancheiras, escovar os dentes, reclamações, promessas e beijinhos apressados. Cardápio do jantar e do almoço na cabeça memorizando para ganhar tempo, lista do supermercado na bolsa, marcar dentista, ortopedista e oftalmologista para os filhos, abastecer o carro, pagar contas, ligar para o pai que andava doente, verificar as agendas escolares, pegar o livro do mestrado para ler no almoço, rascunhar o relatório sobre a reunião de ontem para o chefe, enviar uma dúzia de emails e ler outro tanto durante o café e, então, ir para a rotina diária de 13 h de trabalho.

Gostava do ritmo intenso, trabalhava desde os 15 anos de idade, mas nos últimos tempos percebia que o exagero tomava conta das pessoas, das empresas, do mercado financeiro e do mundo inteiro. Trabalhei por quase 20 anos em uma instituição financeira e conquistei meu desejo de infância: ser mulher de negócios bem sucedida, independente financeiramente, ser mãe e ter uma família. Cheguei lá, obviamente que cada um tem um “lá”. O meu era modesto, mas era o que desejava naquela época, mas carregava junto um histórico médico depressivo de angústia e estresse. Não era feliz. As jornadas de trabalho fora e dentro de casa eram tantas que não dava tempo para usufruir o “lucro” dos meus esforços. Sem falar na angústia para se manter no mercado executivo competitivo.

Um dia, ao sair para o trabalho, vi de relance a foto do caçula na parede da sala. Ele sorria um sorriso banguela de bebê. Senti saudades. Ele cresceu. Onde estava que não vi o tempo passar? Tive medo da resposta. Fechei a porta com a famosa culpa materna pesando nas costas e com a desculpa “é para o bem deles”, parei.

Mas o bem deles não poderia ser à custa da minha infelicidade, pensei. Fiz uma análise fundamentalista da situação, desenhei o pior cenário, classifiquei os riscos e chamei a família para conversar. Deixei casa, família, mercado financeiro, Bolsa de Valores, taxa do dólar, crise financeira de lado. E desenhei o projeto “Volta ao Lar”. Como voltar ao lar depois da luta das mulheres pelo espaço no mercado de trabalho? E a Simone de Beauvoir, a igualdade de direitos, a queima de sutiã em praça pública, a música da Amélia mulher de verdade? Virar dona de casa depois dos conference calls negociando contratos milionários. Foram 10 dias de insônia e uma certeza. Volto para casa com todas essas guerras ganhas! Ficar em casa agora é opção e não obrigação. Mãos à obra.

Lancei mão do meu conhecimento sobre finanças, networking e raciocínio estratégico. O plano era transformar tempo em moeda financeira a meu favor. Negociar a demissão foi à etapa mais difícil, afinal eram quase 20 anos. O coro dos amigos e familiares era intenso: “Meu Deus! Você está louca e doente, pense nos filhos, você está madura para o mercado, é melhor se aposentar primeiro”. O namorado desconfiou que eu não agüentasse a barra de “dona de casa”. Mas não adiantava explicar que jamais seria aquela dona de casa do nosso imaginário. Dos filhos, únicos aliados, ouvi gritinhos “eba mamãe”.
Após a negociação da minha saída e a certeza de que eu não iria para o concorrente, ganhei um acordo. E isso significava pequena reserva financeira para os próximos passos. Teria que reduzir em 45% as despesas domésticas caso contrário as reservas não durariam nem 18 meses. No último dia de trabalho era o próprio cachorro que caiu da mudança. E agora? A estratégia era administrar o lar, trabalhar em períodos alternativos para diminuir o custo de empregadas, babás e motoristas, (consumiam 30% do salário), combinar colégio das crianças, atividades físicas, trabalho fora e dentro de casa.
• Troquei empregada mensal por semanal: redução de 15%.
• Dispensei transporte para os filhos: economia de 7%.
• Cancelei academia e atividades extracurriculares das crianças, nos matriculamos em cursos gratuitos. Redução de 7%.
• Supermercado de mensal para semanal, só industrializados e lista na mão, frutas e legumes compraria em sacolões e feiras livres: economia de 10%.
• Revi contas de consumo (internet, telefone, celular, gás, luz, água): redução de 15%.
• Aprendi manicure e a cuidar dos cabelos: redução de 7%.
• Roupas, só uma vez ao ano, compradas em liquidações: economia de até 25%.
• Viagem de férias com poupança mensal, passagens aéreas antecipadas e noturnas, destinos menos badalados e surpreendentemente mais exóticos.
• Aprendi a cozinhar. Comida “chique” só final de semana.
• Investimentos são mínimos, por enquanto: poupança mensal de 10% das receitas, que agora são variáveis. Ao atingir valores expressivos compro ações, dólar ou aplico em fundos.

Esses 15 meses de volta ao lar foram dignos de um gladiador. Conscientizar-se de todas as formas de desperdício, não só financeiro, mas afetivo, moral, intelectual e emocional é um processo para a vida toda. Sabemos que estamos no início, mas os resultados são imediatos.

Sandra Almeida Silva é mestranda em Finanças, professora, consultora de finanças pessoais e desenvolve projeto de pesquisa na área de Risco Corporativo Financeiro.

*Artigo Publicado na Elas e Lucros, no.8 ano 2009

sexta-feira, 15 de julho de 2011

Dividendos e Valor

Para responder a esta pergunta é necessário mais do que uma análise estratégica da empresa em relação a sua estrutura de capital, decisões de financiamento, ou indicadores contábeis, é preciso sensibilidade para entender que dividendos possui significados diferentes para diferentes entendimentos.

Um ponto importante é que distribuição de dividendos sugere movimentação no mercado, e que para muitos investidores, é uma clara indicação do futuro e revisão do passado da empresa. Indica a política administrativa e financeira da empresa. O gestor deverá ser cauteloso ao conduzir sua estratégia de pagamentos de dividendos, do contrario poderá fornecer ao mercado ruídos em informações relevantes sobre a empresa e ser má interpretado pelos investidores.

Recomprar ou distribuir ações? Quando não se tem lucro ou então é novata em sua abertura de capital, é típico das empresas de crescimento recomprar suas ações no mercado, uma vez permitido pela Sec (Security Exchange Commission) em sua norma 10b18 e assim recompensar os acionistas indiretamente investindo no capital. Uma estratégia, quando os dividendos não são expressivos para aquele tipo de empresa.

Porém, há de se analisar o impacto desta decisão, por exemplo, os dividendos é o principal meio das empresas devolverem o capital investido ao acionista, e os acionistas por sua vez, têm o direito de compreender qual é a política de dividendos da empresa, empresas que não atingem seu retorno máximo, podem não pagar dividendos, portanto, não satisfazer uma parcela dos acionistas que gostam de dividendos. Mas os acionistas sabem aguardar?

Os dividendos são regidos por lei e a decisão sobre a política aplicada é tomada pela administração da empresa, ou seja, as empresas não são livres para anunciarem os dividendos por conta própria, aleatoriamente, e não podem pagar dividendos que excedam o seu capital social, normalmente definido como valor nominal das ações em circulação. O que é uma proteção a favor do credor, pois o pagamento excessivo de dividendos podem comprometer a estrutura financeira da empresa e comprometer os recursos para honrar seus empréstimos e contas á pagar.

Outra estratégia é modificar sua estrutura de capital através da recompra de suas ações, com a intenção de mudar sua estrutura de capital, de recursos próprios por dívidas, entretanto, essa estratégia é mais comum em períodos de expansão das empresas quando há excedentes de recursos.

Contraditoriamente, a teoria de MM (Modigliani & Miller) nos diz que em um mercado de capitais perfeito a política de dividendos não faz diferença, pois o mercado se ajustará de qualquer forma em sua eficiência e simetria de informações.

Mas o mundo é imperfeito? ou pelo menos com algumas imperfeições? Há uma clara divisão de opiniões,Brealey (2005) comenta que há vieses entre os acionistas nesta discussão,já que muitos acionistas acreditam que a distribuição elevada de dividendos valoriza o preço das ações, outros acreditam que as empresas não distribuem dividendos por não possuírem expertise suficiente para gerir o fluxo de caixa disponível, e assim incorrer na má gestão dos recursos.

Portanto, e por último, os impostos, que são responsáveis por uma das imperfeições do mercado possui importante papel em relação à política de dividendos, já que as ações das empresas que pagam dividendos elevados deveriam ter remuneração maior para compensar o desconto do imposto do contrário os dividendos podem ser mais caros aos acionistas, do que o investimento em capital próprio.

Por fim na política de dividendos têm se a prática de mercado, dar preferência ao investidor, tão logo os investidores recebam dividendos altos, sinalizam ao mercado que o gestor da empresa considera dividendos com política importante e saudável para empresa.

References: BREALEY, Richard A.; MYERS, Stewart C.; ALLEN, Franklin Principles of corporate finance 8th ed. EUA: McGraw-Hill, 2005.

quinta-feira, 14 de julho de 2011

O Professor Exemplar

Uma experiência interessante proposta pelos professores da disciplina Ensino na Administração: Estágio docente para alunos de mestrado. Após observações uma grata surpresa, como ser professor?

O professor exemplar defendido por Lowman (2007) está em período de gestação. Há sem dúvida muitos aspectos a serem discutidos antes de se definir o que é ser exemplar em uma sala de aula. Entretanto após o estagio pude concluir que o formato do professor ideal diante desta sociedade em constantes transformações, principalmente tecnológicas é um grande desafio para a Educação.

Diversas metodologias foram estudadas a fim de proporcionar ao professor e ao aluno um desempenho positivo em relação a aprendizagem em sala de aula, conforme Lowman (2007), mas me pareceram, por vezes, sem efeito. Nas observações realizadas por ocasião do estágio, pude observar o grau de responsabilidades assumidas pelo professor em sala de aula, principalmente no aspecto cognitivo da educação, seja por processos educacionais ou simplesmente pelo convívio no dia a dia com os alunos. A relação aluno-professor defendida por Lowman é necessariamente uma relação interpessoal e afetiva,percebe-se claramente que há preferências por professores em relação aos alunos e muitos alunos defendiam o professor por motivos bem subjetivos e surpresamente não correlacionados as técnicas ou ao currículo do professores. A qualidade das aulas era percebido pelos alunos como sendo responsabilidades interpessoal do professor, classificavam uma aula como sendo boa e adequada somente se o “professor era um cara bacana” e, portanto e conseqüentemente gerava uma expectativa que iria fazer uma boa preleção capaz de empolgar e incentivar os alunos.

O professor exemplar, de acordo com as observações realizadas, é possivelmente um conjunto de múltiplas habilidades humanas a serem desenvolvidas pelos professores em busca de um ensino eficiente. Mas o que é ser eficiente? É suficiente?

Antes de ser professor, o professor devia-se perguntar se tal profissão é também fonte de prazer para si próprio, pois no processo cognitivo defendido por Machado (2008) é necessário estabelecer uma relação de mão dupla no caminho da reciprocidade entre aluno e professor, e o caminho ao meu ver, é um iceberg, sendo gestado por nossas constantes transformações sociais e tecnológicas, pronto a emergir.


Referências bibliográficas
LOWMAN, J. Dominando as Técnicas de Ensino. São Paulo: Atlas, 2007.
MACHADO, N. J. Imagens do conhecimento e ação docente no Ensino Superior. Cadernos de Pedagogia Universitária, n.5, junho, 2008.

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Risco de Crédito - O mundo não é perfeito

A idéia de que o investidor pode reduzir riscos utilizando-se de instrumentos derivativos e metodologias de gerenciamento de risco mudou o cenário econômico nos últimos anos.

No mundo atual, mensurar riscos tem sido um dos objetivos mais perseguidos pelos profissionais do mercado financeiro. O motivo é a crescente preocupação das instituições financeiras em administrar o risco em suas carteiras, bem como empresas não financeiras suas exposições, além é claro dos aspectos regulatórios imposto pelo mercado nos últimos anos, como por exemplo, o novo acordo da Basiléia em relação as instituições financeiras.

Entretanto devido ao aumento do volume de operações e instrumentos financeiros sofisticados e a a crescente demanda por produtos relacionados a gestão de risco tem agitado fervorosamente os mercados financeiros e acadêmico, pois como modelar risco por empresas não financeiras?brasileiro.

A literatura sobre o assunto tem sido abordada por premissas pioneiras sobre teorias de finanças, a mais conceituada no mercado financeiro surgiu a partir do artigo “Portfolio Selection”, Markowitz (1952) que analisa o risco a partir do retorno esperado de cada ativo em relação ao mercado. Sharpe (1964) contribui com o CAPM, (Capital Asset Price Model) modelo de precificação de ativos que estabelece a relação entre o retorno esperado do ativo e a parcela de seu risco não diversificável, ou seja, o risco intrínseco da empresa, e portanto um modelo de precificação de ativos. O modelo descreve que cada empresa possui um risco idiossincrático e portanto a empresa não precisaria se preocupar em diversificar seu portfólio para diminuir o risco, mesmo porque os investidores já fariam a diversificação pela empresa, obviamente considerando a premissa de mercado perfeito, teoria discutida por Modigliane e Miller,(1958) e suas proposições de que o valor da empresa é determinado pelos seus ativos reais e não pelos títulos que emite e portanto a estrutura de capital é irrelevante.

Porém Brealey e Meyer (2005) afirmam que a Estrutura de Capital da empresa é relevante sim, apesar das premissas de mercado eficiente, e defendem que as empresas podem aproveitar sua estrutura de capital através de financiamentos e alavancarem seu capital. Portanto, nos faz acreditar que tais decisões implicariam em risco e reforça a importância de administrar risco em empresas - não financeiras. Outra teoria que justificaria a aplicação de modelos de gestão de risco para empresas não financeiras é o modelo de Black Scholes-Merton, onde os valores do empréstimo realizado podem ser entendidos como uma subscrição de uma opção de venda sobre os ativos da empresa devedora e esse valor dependerá do valor de mercado desses ativos e suas volatilidades. A utilização desse modelo também é uma forte contribuição para uma politica de risco como instrumentos de hedge. Porém há um vies algoz nesse raciocinio, ao mesmo tempo que tais modelos teóricos de precificação de ativos ou diversficação tentam atravez do mecanismo de hedge proteger as empresas de eventuais perdas é também motivo de risco. A falta de expertise no assunto pode causar perda financeira devido a má gestão uma vez que a empresa-não financeira, poderá não dominar as tecnicas requeridas em uma boa gestão de riscos e derivativos.

Já Crouhy (1944) comenta que há oposição em relação à gestão de risco corporativo por empresas – não financeiras e argumenta que a excessiva utilização de hedging pelas empresas poderá desviar o foco do negócio central, ou seja, a empresa passar a operar como um banco, por exemplo. Segundo o autor há também a possibilidade de se utilizar instrumentos derivativos para diminuição da carga tributária, o que não condiz com gestão de risco.

Por fim o argumento principal seria que as empresas não financeiras utilizassem instrumentos derivativos com o principal propósito de hedging contra dificuldades e restrições financeiras apenas. No entanto o mundo pode não ser perfeito, e muito menos o mercado de capitais, como por exemplo, a recente má gestão de derivativos realizados por algumas empresas brasileiras decorrentes da crise financeira de 2008.

Há sem dúvida também bons exemplos de empresas brasileiras, como a Eletrobrás que utiliza derivativos para se hedgear contra variação cambial, mitigando o risco cambial em seus negócios.

Referencias:

BREALEY, Richard; MYERS, Stewart. Principles of corporate finance. 2ª ed.. International student edition: McGraw-Hill, 1984.
Black, Fischer; Myron Scholes (1973). "The Pricing of Options and Corporate Liabilities". Journal of Political Economy 81 (3): 637–654.
Crouhy, Michel; Galai, Dan; Mark, Robert - Fundamentos da Gestão de Risco - Serasa, 2008.
Markowitz, H. "Portfolio Selection," Journal of Finance 7 (1952): 77-91.
Modigliani, F.; Miller, M. (1958). “ the Cost of Capital, Corporation Finance and The Theory of Investment”. American Economic Review 48 (3): 261–297.
Sharpe, William F. (1964). Capital asset prices: A theory of market equilibrium under conditions of risk, Journal of Finance, 19 (3), 425-442

terça-feira, 12 de julho de 2011

Os caminhos até uma teoria forte. (Quem nasceu primeiro o ovo ou a galinha?)

Parece até ilógico que para definirmos o que é uma teoria do que não é uma teoria, seja preciso estipular regras, formatos e processos, porém definir teoria não é fácil como supõe ser. Primeiro é preciso distinguir partes conceituais que não são a teoria, mas a compõe-na. Para tanto é preciso entender o que não é teoria para depois descobrir o que vem antes da teoria, na seqüência e o depois, ou seja, a construção de uma teoria forte.
Sutton (2003) afirma que se um artigo não contiver um viés teórico ou ao menos uma indicação teórica, então todo o artigo não tem validade. Pareceristas, editores estão cansados de recusar artigos por possuírem teorias inadequadas ou pela confusão demonstrada pelos autores do entendimento teórico. Parecem sofrer uma espécie de confusão mental por misturar os elementos de uma pesquisa como se estivessem elucidando a teoria do tema abordado. Segundo autor a busca por uma teoria se dá na própria literatura do assunto e somente na literatura pode-se amparar o autor e por assim ocorrer à distinção entre teoria fraca ou forte.

Entretanto paradoxalmente o autor menciona que a literatura parece também estar confusa do que é teoria, há certo mal-estar nesta distinção até na própria literatura. Dúvidas tais como: se a teoria possui uma tipologia definida, se é interessante e relevante para academia, em relação falsificabilidade, seus critérios distinguidos entre os conceitos.

Portanto há uma falta de consenso do que é uma teoria e porque é tão difícil desenvolver uma teoria. Os acadêmicos acabam por restringir seus escritos às falácias de pareceristas e editores de como gostariam de publicar seus artigos, não se sabe ao certo se são regras acadêmicas ou editoriais e por fim esquecem-se da premissa maior que seria a o caráter inédito dos seus artigos. E há casos que a teoria existe, porém a forma escrita não se adéqua aos padrões da revista, ou então se o artigo é quantitativo será necessário demonstrar o modelo de aplicação, se é artigo sobre pesquisa qualitativa há também regras de como proceder em relação ao formato. E assim as dificuldades de avolumam entre os pesquisadores sobre a oportunidade de verem seus escritos iniciando um processo acadêmico de validação junto à academia. O artigo por sua vez poderá estar em desenvolvimento, os modelos de testes empíricos ainda em gestação, porém não há chance, será rejeitado por parte das revistas, pois a metodologia é fraca ou não demonstrada.

Obviamente todo artigo está em processo, segundo o autor esta confusão perdura no campo organizacional de um modo geral, não há regras mágicas ou passos lógicos para construir um modelo de teoria. Como definir uma teoria, como encontrar a adequabilidade de uma teoria, esta questão envolve a todos, pesquisadores, acadêmicos, editores e pareceristas, e, no entanto parece uma brincadeira de esconde – esconde, ou seja, os pesquisadores não sabem o que é solicitado e os editores não sabem o que solicitar. E neste ínterim temos uma certeza, ter ou não ter uma teoria já é fator limitante em uma pesquisa desde seu principio. Porém como encontrar?
Entretanto segundo, Sutton (2003) menciona que nesta confusão sobre a distinção do que é teoria, há mais pistas do que não é, do que é. Por exemplo: há cinco características em um artigo acadêmico, que são importantes e fundamentais em uma pesquisa, porém enfatiza que estas partes, não são a teoria e não fazem parte do conteúdo teórico, que possuem apenas o intuito de elucidar o caminho para a teoria, por vezes tortuoso.

A primeira destas cinco partes que não fazem parte da teoria são as referências, estas colaboram para a argumentação dos conceitos a serem abordados e que a intenção da lista de referência é explicar a lógica causal entre os temas abordados. Porém é preciso explicar o porquê tais autores figuram na lista de referencias, qual a lógica deste ou daquele autor, principalmente explicar o porquê destas teorias foi à causa da escolha do autor do artigo. Já os dados da pesquisa, que pé a evidencia empírica do fenômeno ou o inverso, por si só não apresentam ou demonstram explicações causais, é preciso teorizá-los. Os dados explicam por qual padrão empírico foi observado um fenômeno, isso não é explicação, porém caberá a parte teórica desvendar o porquê estes dados foram observados. Bem como listas de variáveis, constructos também não são teorias. Como explicar como ocorrem uma variável ou um constructo ou diagrama, apenas com a criação destas, não elucida a teoria contida no artigo, entretanto devia-se perguntar por que se espera que tais métodos, conjunto de dados, possam prever um diagnóstico para o tema estudado?
As hipóteses ou predições por ser uma parte importante de um argumento é apenas a base operacional de um artigo, e não uma teoria. Segundo o autor hipóteses são proposições sobre o que se espera que ocorra e não por que se espera que ocorra tal fenômeno. Portanto tanto hipótese, constructos, referencia e dados se não possuírem uma relação causal com o fenômeno estudado não fornecem características para a criação de uma teoria forte.

Para Sutton (2003) uma teoria forte pode ser considerada como a resposta as indagações do por quê; As respostas referentes às conexões entre os fenômenos observados, a natureza das relações causais, ou seja, pretende-se responder quem nasceu primeiro o ovo ou a galinha. Determinar a seqüência lógica de uma proposição. Uma teoria poderia explicar a relação causal entre o ovo e a galinha, ou seja, explica as questões sem resposta.
Porém há também argumentos contra a teoria, ao assumirmos que os pesquisadores escrevem melhores artigos quando se debruçam na literatura em busca de uma teoria forte, portanto cabe então a questão se colaboradores de revistas estão amparados nessas habilidades tanto para testar teorias como na sua construção, ou seja, não bastar serem apenas empiricistas, é preciso também ser bons teóricos.

Whetten (2003) em seu artigo “O que constitui uma contribuição teórica” descreve sua experiência como editor de uma importante revista acadêmica e que persegue o objetivo de identificar os possíveis caminhos para uma contribuição teórica e que, portanto em sua reflexão pessoal, visando a facilitação do entendimento do que seria uma teoria para pesquisadores em seus artigos. O autor descreve que três questões são chaves para obter esse entendimento. Primeiro quais seriam as partes da construção do desenvolvimento de uma teoria, segundo o que representa uma construção teórica, se é legitima, se agrega valor ao desenvolvimento da teoria, e finalmente quais são as expectativas dos avaliadores em relação às contribuições e a adequabilidade dos artigos.

Primeiramente o autor define quais fatores (variáveis, constructos, conceitos) são relevantes e que foram adicionados de maneira abrangente para o entendimento do artigo, sendo a sensibilidade e parcimônia características imprescindíveis de um bom teórico. Segundo como esses fatores estão relacionados no artigo visando uma especificação á ordem lógica de conceitos, o que se presume introduzir a causalidade, sendo que o modo como esses elementos deverão se relacionar na pesquisa constituirá o conteúdo da teoria, por conseguinte os avaliadores dos artigos irão mensurar o equilíbrio e completude desses elementos.

Entretanto há uma questão central que é o porquê a combinação desses elementos deveria ser analisada? A resposta seria porque teóricos precisam convencer que suas proposições fazem sentido e que irão agregar valor ao fenômeno e por fim que são passiveis de serem testadas. Ou seja, suas proposições devem conter descrição e explicação. Ainda Whetten (2003) determina que as condições “quem, onde e quando” são fatores limitadores em um modelo teórico e que agem como fronteiras da generalização, sendo assim um fator importante em um estudo. Por exemplo, o fator tempo já que consideramos que os efeitos teóricos são instáveis e podem sofrer modificação. Portanto o contexto é fundamental para a compreensão geral do artigo e durante o processo poderá ser descoberto limitações inerentes a pesquisa e limitações a sua aplicabilidade, e isto deverá ser previamente definido, descrito e previsto em um artigo com base teórica forte.


Conclusão:

O caminho a ser percorrido em busca de uma teoria “forte” é árduo e tortuoso, pois tanto a academia, os avaliadores de periódicos, revistas e pareceristas possuem conceitos ainda pouco fundamentados sobre o que é ou não teoria. Há uma convenção de que tais elementos como, hipóteses, constructos, dados e referencias não são por si próprias teorias, porem o conjunto destes elementos faz parte de um pressuposto teórico. Sutton (2003) afirma que muitos artigos são destituídos de teoria, ou por pesquisadores inaptos a parte empírica e pouco habilidosa na parte teórica e vice e versa, e menciona que o problema é complexo e que a reflexão sobre este assunto traz a tona exemplos como, Darwin, Freud entre outros. Será que os artigos Darwinianos continham toda a rigorosidade desejada á época de seus escritos? No entanto suas descobertas mudaram a forma de pensar humana. O autor, porém não acredita que simplesmente uma maior tolerância em relação à adequabilidade dos artigos trará contribuições teóricas verdadeiras ao ponto de serem chamadas de verdades, é preciso definir normas e procedimentos. Whetten (2003) corrobora com Sutton ( 2003) e menciona que os critérios para julgar uma contribuição teórica é preciso ser entendido e aceitos amplamente por editores e colaboradores e que possa haver uma comunicação entre fala e escuta efetivamente para o melhor desenvolvimento acadêmico das pesquisas.

Por fim, espera-se que tal imbróglio acadêmico acerca dos conceitos sobre o que é e o que não é teoria não possam restringir a criatividade, inventividade dos pesquisadores ao ponto de limitar seus estudos aos formatos ditos como “adequados” pela academia ou pela necessidade de publicação de seus estudos e que principalmente a mídia impressa esteja apenas a serviço da necessidade acadêmica de publicação, e que tais artigos primem por um zelo e adequabilidade em nome do rigor ético e científico sem perder o caráter inédito.

Questões:

1) As regras para conceituar uma teoria em um artigo poderá estar sujeita, não somente aos condicionantes conceituais e literários e sim as características e limitações editoriais por parte da mídia impressa?

2) O fato deste mal-estar acadêmico sobre a definição do que é e como se faz teoria, poderá restringir as contribuições teóricas acerca das pesquisas no campo de pesquisas organizacionais?

Referencias:

WHETTEN, D. A. O que constitui uma contribuição teórica? RAE – Revista de Administração de Empresas, v. 43, n. 3, p. 69-73, jul/set 2003.

SUTTON, R. I. STAW, B. M. O que não é teoria. RAE – Revista de Administração de Empresas, v. 43, n. 3, p. 74-84, jul/set 2003.

Demonstrações Financeiras - Análise Financeira e Planejamento

Para que gestores financeiros possam planejar o futuro a curto ou longo prazo, é necessário o completo conhecimento e o desenvolvimento de habilidades especificas, como por exemplo analises de Demonstrações Financeiras visando produzir resultados relevantes que servirão de alicerce na tomada de decisão estratégica de uma empresa.
Calcular alguns índices financeiros através de demonstrativos contábeis são ferramentas previsoras de resultados futuros, tais índices indicam apenas o caminho, não é em absoluto uma afirmação assertiva sobre os resultados previstos. A eficácia ou não destas ferramentas compõem como parte prerrogativa de uma decisão estratégica corporativa.

È também através das demonstrações financeiras que surge a possibilidade de desenhar cenários financeiros futuros através da análise comparativas dos números em relação ao ano vigente e anos passados, projetando assim previsão futura.

Porém recentemente este campo de estudo tem sofrido diversas modificações e fomentado muitas controvérsias a respeito da veracidade dos demonstrativos financeiros. Umas das principais discussões são a regulamentação e uniformização das regras contábeis e mais recentemente como classificar ativos intangíveis em seus balanços. Pois há um consenso no ambiente corporativo que auditores e contadores possuem liberdade de interpretação em alguns resultados e com isso enfraquece a fidelidade de tais demonstrações. As diferentes regras contábeis, que atualmente buscam por uma uniformidade, podem afetar o resultado de uma análise financeira. Influências econômicas de um país, leis, práticas de mercado inviabilizam ou inviabilizavam um consenso sobre o assunto. Entretanto, a uniformização de um padrão contábil global, nos dias atuais, é uma das áreas que mais sofrem transformações principalmente no mercado de capitais onde as empresas de capital aberto ofertam suas ações no mercado a preço de mercado.

O Executive paper, é uma ferramenta de análise financeira oriunda dos balanços da empresa que fornece uma análise sucinta da situação atual da empresa em um determinado período de estudo. Os principais aspectos de uma análise financeira são os índices financeiros produzidos pelas interpretações da análise e que tem como objetivo fornecer informações financeiras de forma consolidada e convencionada da empresa ao gestor, que por sua vez servirá como base para uma tomada de decisão, seja de estratégia corporativa ou empréstimos/ financiamentos. Os principais índices são: Alavancagem /índice de endividamento, índice de liquidez, índice de eficiência, índice de rentabilidade, índice de valores de mercado.
Um comparativo de um ano para outro é um ponto de partida para uma analise financeira mais assertiva, porém, é apenas uma previsão ou uma probabilidade futura e não uma certeza. É necessário estipular critérios para o entendimento, o contexto, o cenário ou a pergunta é parte fundamental em uma análise financeira através de demonstrativos contábeis.

Pergunta: Se a tomada de decisão de um gestor está baseada em modelos de análises financeiras, que por sua vez, são sustentadas por dados de demonstrativos contábeis e não financeiros, e, portanto não compreende toda a complexidade de um mercado eficiente ou não, como é possível decidir entre um financiamento ou um investimento sem levar em consideração a opinião da administração?

Bibliografia:
DAMODARAN, Aswath Corporate finance 2nd ed. EUA: Wiley Series in Finance, 2001.
BREALEY, Richard A.; MYERS, Stewart C.; ALLEN, Franklin Principles of corporate finance 8th ed. EUA: McGraw-Hill, 2005

quarta-feira, 6 de julho de 2011

Teoria das Finanças:O Lado direito do Balanço – Como captar recursos para sua empresa em que o caminho “é um passeio aleatório”.

Existia uma velha piada sobre dois pesquisadores que acreditam na EMH e que um deles, por acaso, encontra uma nota de 50 reais na calçada. Ele diz: “não é uma nota de 50 dólares no chão?” O outro afirma: “Parece, mas se fosse alguém já teria passado e ficado com ela”.

Ainda na intenção de se obter um VPL positivo e que este VPL seja uma decisão inteligente de financiamento, inteligente no que se diz respeito à eficiência desta decisão ao longo do tempo para a minha empresa. Nesse sentindo é necessário acreditar segundo Brealey (2005) p. 288 que os mercados de capitais são eficientes e que a concorrência feroz entre os investidores elimina as oportunidades de lucro e faz o passivo e o capital próprio se equilibrarem, portanto a hipótese de eficiência de mercado é uma questão muito importante em finanças e é considerada uma verdade universal.

Um VPL positivo para você significará um VPL negativo para alguém, e, portanto se o mercado de capitais é eficiente significa que todos possuem informações onde quer que haja um equilíbrio de decisões acerca de um preço justo. O que é um Preço Justo em um mercado eficiente?

Para responder esta pergunta podemos considerar que o passado e simulações históricas que nada interferem ou diz alguma informação importante sobre o futuro acerca de um preço justo. Desde modo, o preço justo deverá ser encontrado em um “passeio aleatório” onde as únicas verdades são que as informações serão suficientemente necessárias para ajustar o mercado, hoje e não amanhã. Pois à medida que os investidores começam a se beneficiar das vantagens da informação sobre o preço, estes se ajustam.

Há, entretanto níveis de eficiência, primeira os preços refletem as informações contidas nos preços dos históricos, e, portanto é impossível ganhar caso a firmação se concretize que os preços é um passeio aleatório e, portanto é (Fraca). Segunda, os preços refletem não somente o passado como também toda a informação publicada restante, portanto os preços se ajustam pela informação publica, considera- Semiforte. Terceiro, os preços refletem não somente a informação publica, mas também a informação futura em base de dados intrínsecos da empresa bem como da economia vigente, e com isso entrará o conceito ainda inseguro em finanças, porém com fortes tendências a ser tornar cientifico que seria investidores com sorte e investidores sem sorte, pois dependerão muito do lado esquerdo do cérebro para administras os ganhos do lado direto.

E as anomalias? Como o termo por si próprio já sugere “Aquilo que apresenta uma anormalidade ou irregularidade, que não é normal, não contém um padrão regular, e sim típico, portanto, se fosse fácil de encontrar, prever ou entender as anomalias do mercado, muitos investidores já teriam feito o uso. Porém há leis para limitar, quem sabe um pouco, o passeio aleatório por Walt Street, que são:
1. Os mercados não têm memória;
2. Confie nos Preços de Mercado;
3. Leia nas Entrelinhas;
4. Não há Ilusões Verdadeiras;
5. A Alternativa do faça você mesmo;
6. Depois de ver uma ação, todas estão vistas.